Clubes fazem pacto para não se beneficiarem de liminar de torcedores

O presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil, revelou na tarde desta quinta-feira, ao deixar a reunião dos clubes da Série A na sede da CBF, que foi feito um pacto entre as agremiações para que a partir de agora nenhum dos integrantes da elite nacional aceite ser beneficiado por qualquer liminar de terceiros obtida fora das instâncias da Justiça Desportiva. A decisão foi tomada para evitar confusão como a que envolve o último Campeonato Brasileiro, com torcedores da Portuguesa acionando a Justiça comum para tentar reverter o rebaixamento da Lusa. O dirigente citou a questão como obrigação das agremiações devido aos contratos.
 
– Daqui para frente, os 20 clubes do futebol brasileiro não aceitarão demanda de torcida. Mesmo se o clube for beneficiado, as instituições vão se proteger para cumprir a regra. Não é desobediência à Justiça, mas sim porque temos um contrato a cumprir e não estou falando de contratinho, estou falando de bilhão – disse Kalil.
 
O vice-presidente de futebol do Internacional, Marcelo Medeiros, discursou no mesmo tom.
 
– É uma decisão responsável para dar credibilidade ao futebol. A preocupação da CBF e dos clubes é pela credibilidade do futebol brasileiro. Nos últimos dez anos, após a criação dos pontos corridos, não tivemos viradas de mesa. Temos de respeitar e obedecer o regulamento da competição – afirmou.
 
Momentos antes de Kalil e Medeiros se pronunciarem, a CBF anunciou a tabela do Brasileiro de 2014 sem a Portuguesa. Isso foi possível após o anúncio, minutos antes, pela assessoria da entidade, de que todas as liminares reformando a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) foram cassadas.
 
Entenda o caso
Após a última rodada do Campeonato Brasileiro, a CBF comunicou ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) a possível escalação irregular dos atletas Héverton, da Portuguesa, e André Santos, do Flamengo. A infração, julgada em duas instâncias no tribunal desportivo, acabou fazendo com que ambos os clubes perdessem quatro pontos. Dessa forma, o Fluminense permaneceu na Série A e a Portuguesa foi rebaixada para a Série B.
 
Desde então, uma série de ações judiciais originadas por torcedores dos dois clubes e questionando as decisões do STJD foram impetradas na Justiça Comum.
 
Algumas liminares foram emitidas em favor dos torcedores, outras foram cassadas pela CBF. Paralelamente a isso, o Ministério Público de São Paulo, através do promotor Roberto Senise, decidiu investigar o caso. O promotor já chegou a afirmar que há indícios de que funcionários da Lusa receberam dinheiro para escalar Héverton. O Flamengo, por sua vez, recorre da perda de pontos na Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), na Suíça.
 
Fonte: GloboEsporte.com

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