Vasco defende ajuste de 88% para adesão de sócios, e oposição critica


Na última terça-feira, na reunião do Conselho Deliberativo, além do orçamento para 2016, foi votado e aprovado o novo programa de sócio-torcedor, que deve começar em março deste ano. O vice-presidente de marketing, Marco Antônio Monteiro, explicou os pontos do programa. A mudança mais significativa é o aumento do valor do título de sócio proprietário – plano estatutário, desvinculado do novo programa: passou de R$ 800 para R$ 1.500 – um ajuste de 88%. A mensalidade aumenta de R$ 55 para R$ 60. A adesão ao sócio geral, que assim como o sócio proprietário tem direito a voto, está suspensa.

Na votação de terça-feira, oito conselheiros da oposição votaram contra, seis a favor – apenas 14 membros do Conselho Deliberativo da oposição foram ao encontro. O candidato da chapa “Sempre Vasco”, Julio Brant, não compareceu à reunião. O presidente da Cruzada Vascaína – grupo político de oposição que tem a maioria das 30 cadeiras de oposição -, João Marcos Amorim, ex-membro do Conselho Fiscal do Vasco, acredita que o aumento do título de sócio proprietário vai afetar no número de adesões e interfere nas eleições de 2017. Para votar, o sócio tem que ter um ano ininterrupto de vida associativa no clube.

– O acréscimo na mensalidade corrige a inflação. Já o valor do título teve um expressivo aumento que certamente afetará a adesão na categoria com direito a voto. Não sei se afetará significativamente, porque o momento do clube, infelizmente, já não motiva o torcedor a se associar. De qualquer forma, desde o início do ano já estamos voltados para o atual quatro de sócios, trabalhando firme para oferecê-los um novo e definitivo rumo para o Vasco – opinou o presidente da Cruzada Vascaína.

O vice-presidente de marketing do Vasco, Marco Antônio Monteiro, rechaçou a ideia de que o aumento do valor do título seja para “fechar” o clube com a finalidade de a situação se manter no poder nas próximas eleições. O dirigente cita o rival Flamengo, que acaba de vender 200 categorias de associados por R$ 10 mil, e Fluminense e Botafogo, que tem título de sócio proprietário custando R$ 4.800 e R$ 2.400, respectivamente.

– Havia defasagem de seis anos sem aumento. Um título de sócio proprietário no Flamengo custa R$ 10 mil, outros custam R$ 7 mil. Estamos aumentando para R$ 1.500, com possibilidade de se fazer parcelado em três vezes pelo mesmo valor. O problema é que tem um grupo da oposição que só pensa em eleição. Fizemos anistia assim que entramos por um longo tempo. Agora, queremos privilegiar nosso sócio torcedor. Eles acham que impede de fazer novos sócios. Falam da última campanha, quando todos fizeram, não foi só o Casaca!. Roberto Monteiro fez (campanha de adesão em massa), a Cruzada também fez. Eurico ganharia com ou sem campanha. O clube estava um caos. Nossa preocupação é fazer o plano dar certo por cinco, 10, 15 anos. O Vasco já está muito atrasado. Isso (de fechar o clube para ganhar eleição) não existe – explicou o vice de marketing.

Sobre a suspensão da adesão do sócio geral, que também dá direito ao voto e também gerou reclamação e até princípio de confusão na reunião da Lagoa, Marco Antônio não deu previsão de retorno dessa categoria e defendeu a medida pela necessidade de privilegiar o vascaíno que optar pelo novo sócio torcedor. A adesão para sócio geral custava R$ 200, com uma mensalidade de R$ 40.

– Suspendemos temporariamente, porque colide com nosso lançamento do sócio torcedor. Não estamos lançando o sócio torcedor para ajudar o Vasco a ser viável, não é isso. Queremos que o torcedor se associe pela paixão ao Vasco. Vai ter programa de milhagem, rede de benefícios. O cara vai ao restaurante, à lanchonete, ao cinema, vai acumular pontos para se beneficiar no Vasco. Ele vai ganhar mais sendo sócio do que ele vai pagar para se associar. Não posso esvaziar o novo sócio-torcedor com um sócio geral, que é estatutário, pagando mais barato para ter desconto em ingresso. Não pode concorrer um com o outro. A categoria do sócio torcedor que poderia colidir deve ser R$ 20 mais cara – finalizou.

A estimativa de faturamento no primeiro ano do novo programa de sócio torcedor é de R$ 7 milhões. Antes, o clube faturava bem menos – entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões. No novo programa, sócio criança, de até 12 anos, custará por volta de R$ 10. Sócios fora do Rio de Janeiro devem pagar em torno de R$ 13 ou R$ 14. Sócio com preferência para comprar ingresso de arquibancada e social deve ser por volta de R$ 80 – a categoria que o clube vê “colisão” com o sócio proprietário -, e sócio com garantia assegurada para entradas em jogos e outros benefícios fica por volta de R$ 150. O Vasco promete rede de benefícios em lojas, restaurantes, diversas vantagens e milhagens para os novos associados. A gestão Dinamite pretendia fazer o programa com a Golden Goal, que faz o plano da dupla Fla-Flu, mas o Vasco fechou por três anos com outra companhia, que ainda não foi anunciada. O contrato é de três anos.

Fonte: Globo.com

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