Julio Cesar ressurge após “pior fase da carreira” e projeta um 2016 de sorrisos

Julio Cesar treina em academia onde manteve a forma no período longe do futebol (Foto: Cahê Mota / GloboEsporte.com)

O fim de 2015 foi de sentimentos contrastantes para Julio Cesar. A dor pela queda do Vasco para Série B dividiu espaço com uma mistura de alegria e alívio de quem se levantou e acabou com as dúvidas que rondavam sua própria cabeça após oito meses de inatividade. Demitido pelo Botafogo ao lado de Emerson Sheik, Bolívar e Edílson, em 2014, o lateral-esquerdo foi quem mais demorou para voltar ao futebol, e o fez justamente no time do coração. Em São Januário, recuperou a confiança, voltou a sorrir e, apesar do rebaixamento, começa 2016 otimista em um ano onde poderá tornar coletiva a felicidade que foi individual no último Réveillon.

Se não teve o protagonismo de Nenê ou Martin Silva, Julio Cesar terminou o ano certo de que se tornou uma peça importante na equipe de Jorginho. Ao lado de Bruno Gallo, foi um dos coadjuvantes mais regulares na arrancada que quase evitou o rebaixamento e inicia a temporada com status de absoluto na posição. Com contrato até maio, projeta um futuro ainda mais longo na Colina e comemora a recuperação após o “pior momento da carreira”:

– Foi uma vitória particular muito grande, apesar de o Vasco ter caído. Pude dar a volta por cima, fincar o pé e dizer: “Estou aqui!”. Joguei nos quatro times grandes do Rio, isso é muito difícil. Não é qualquer jogador que consegue. A cobrança é forte, até mais do que em São Paulo. Ainda não conquistei títulos no Vasco, mas tenho certeza que vou conquistar, como conquistei nos outros três. Até hoje, não entendo a saída do Botafogo. Foi o pior momento da minha carreira. Sempre fui muito profissional e não foram profissionais comigo, mas isso é página virada. Fico feliz por ter tido um semestre muito bom no Vasco. Agradeço ao Jorginho, ao clube pela oportunidade e confiança.

Na próxima quarta-feira, Julio Cesar se reapresenta em São Januário e encontrará a maioria dos companheiros que terminaram o Brasileirão. Com apenas um reforço, o Vasco optou por manter a base. Pela frente, a missão é árdua: mais uma disputa de Série B. Além da confiança por conta do bom futebol apresentado nos últimos meses do ano, o elenco começa a temporada com uma lição:

– Segunda Divisão é mais coração, muita disputa de bola, principalmente fora de casa. Tem que entender isso, é importantíssimo. Não vai entrar em campo achando que a qualidade vai resolver. Se não duelar na Série B, não ganha.

Em bate-papo na academia onde mantém a forma no Rio de Janeiro, Julio Cesar falou dos temores no período inativo, da polêmica saída do Botafogo e do otimismo por um ano de vitórias. Confira abaixo a íntegra da entrevista:

 

julio cesar vasco gol (Foto: André Durão)

A queda para Série B impede que a sensação seja de dever cumprido, mas toda arrancada nos últimos meses de 2015 faz com que o Vasco comece o ano de moral elevado e otimista em uma temporada de vitórias?  

– Apesar de termos caído, a forma como terminamos o ano nos deixa muito esperançosos. Tanto que a base está sendo mantida. Depois da vitória sobre a Ponte Preta (na 24ª rodada), perdemos somente uma partida. Isso é difícil, nem os times que estavam na ponta conseguiram. Então, temos que usar mesmo essa base e fazer contratações pontuais. Sabemos que a diretoria e o treinador confiam em nós e ficamos esperançosos por um ótimo ano.

Individualmente, dá para dizer que a temporada passada foi de reafirmação, volta por cima depois da saída traumática do Botafogo?  

– Foi uma vitória particular muito grande, apesar de o Vasco ter caído. Pude dar a volta por cima, fincar o pé e dizer: “Estou aqui!”. Joguei nos quatro times grandes do Rio, isso é muito difícil. Não é qualquer jogador que consegue. A cobrança é forte, até mais do que em São Paulo. Ainda não conquistei títulos no Vasco, mas tenho certeza que vou conquistar, como conquistei nos outros três. Até hoje não entendo a saída do Botafogo. Foi o pior momento da minha carreira. Sempre fui muito profissional e não foram profissionais comigo, mas isso é página virada. Fico feliz por ter tido um semestre muito bom no Vasco. Agradeço ao Jorginho, ao clube pela oportunidade e confiança.

Foram oito meses de inatividade. Como você encarou essa experiência? Chegou a temer pelo rumo da carreira?  

– Com certeza. Ainda mais pela idade. Aqui no Brasil tem muito isso de dizer que o cara é velho, que não serve. E não tem nada a ver. Temos várias provas aqui. O artilheiro do país tem 35 anos, o Zé Roberto está aí jogando de lateral. Temia por isso pela forma que saí do Botafogo também. Passava uma dúvida pela minha cabeça. Por isso, particularmente, dei uma volta por cima em 2015. Foi muito difícil. Procurei manter minha forma, já tenho 33 anos e não podia me descuidar. Cresci muito com tudo que aconteceu. Minha cabeça mudou muito em relação ao futebol, a tudo que acontece. Foram oito meses em casa, parado, sem fazer o que eu gosto.

Aí, chegou o convite do Vasco, que teve uma temporada complicada. Começou campeão, terminou rebaixado… Era um clube que você via como porta para esta nova oportunidade?

– A gente fica em alerta, sabendo do que os times estavam precisando, e estava pronto. Fisicamente estava bem, precisava de ritmo de jogo. Demorei um pouco para engrenar, o que é normal, o time não estava bem. Às vezes, você entra e o time não ganha, o treinador tem que mudar, e entendo perfeitamente. A partir do momento que começamos a ganhar, peguei ritmo de jogo e fui melhorando. Agora, com pré-temporada, espero render ainda mais.

Seu contrato vai até o meado de maio, mas a tendência é de renovação. Você hoje tem a confiança de que seu ano será mesmo no Vasco?   

– Seguro a gente nunca fica, né? Ainda mais depois da experiência que tive no Botafogo, já estou calejado. Mas não há nem comparação entre as diretorias. Pelo que conheci das pessoas que estão lá no Vasco, acho que não terá problema e meu futuro será no clube mesmo.

Como ficou definida a situação com o Botafogo? Ainda há pendências?  

– Está na Justiça. São vários meses de salários atrasados…

E o que realmente aconteceu em 2014? O que levou o clube a demiti-lo?  

– Até hoje, eu não sei o que aconteceu. Sinceramente. O presidente já tinha tentado tirar o Bolívar depois da Libertadores e pedimos pela permanência dele. Depois, foi tudo muito estranho. Não sabemos o que aconteceu. Nem o presidente sabe. Ele falou, falou, disse que éramos profissionais, mas nos mandou embora. Acho que ele queria ser o herói caso o Botafogo se salvasse e tirou a gente para dizer que agiu. Todo mundo viu que ele errou. De repente, com a nossa permanência, o Botafogo poderia ficar na Primeira Divisão. Foi uma escolha dele e bola para frente. Esqueci totalmente, não tenho mágoa e só penso no Vasco.

Ter essa volta por cima no Vasco, clube do coração e onde seu pai jogou, torna toda essa história ainda mais especial?  

– Já comentei que é o time que eu torcia, o time onde meu pai jogou, time do coração dele, da minha esposa, do meu sogro… Quase a família toda. A responsabilidade até aumenta, a pressão já vem de casa. Minhas filhas já são Vasco, querem camisa, ficam gritando nos gols. É gostoso ver isso e, por ser um jogador experiente, pode ser meu último clube aqui no Rio.

Julio Cesar comemora Vasco x Atlético-PR (Foto: André Durão / GloboEsporte.com)

Agora, vocês têm uma Série B pela frente. O que muda no planejamento para uma competição como essa? O que passa pela cabeça do jogador?  

– Os jogos da Primeira Divisão têm muita qualidade técnica. Da Segunda, é mais coração, muita disputa de bola, principalmente fora de casa. Tem que entender isso, é importantíssimo. Não vai entrar em campo achando que a qualidade vai resolver. Se não duelar na Série B, não ganha.

O roteiro dessa história no Vasco é muito parecido com o que você encontrou no Flu em 2010. Chegou em um elenco que lutou contra o rebaixamento e criou uma base que acabou campeã do Brasileirão…  

– Vejo muita semelhança entre aquele elenco do Fluminense e esse do Vasco. Mesmo não conseguindo manter na Primeira Divisão, a arrancada foi muito parecida. A base está mantida e esperamos terminar bem como foi em 2010, campeão e com o elenco valorizado.

O Nenê acabou sendo a principal figura desse time e está sendo assediado por clubes da Série A. Ele hoje é uma peça fundamental nessa engrenagem?  

– É um jogador com uma qualidade técnica muito grande, jogou lá fora em vários times com sucesso, foi considerado o melhor jogador do Campeonato Francês há pouco tempo, e isso não é pouca coisa. Foi um jogador que logo virou ídolo, a torcida abraçou e virou referência. Para o Vasco, ficar com ele é muito importante.

Qual a principal lição que o Vasco pode tirar dessa arrancada na reta final do Brasileirão?

– O Jorginho levantou muito a nossa autoestima. Tudo que aconteceu passa muito por ele, teve muitos méritos. Temos que ver que nada é impossível. Pegamos as melhores equipes do Brasil e jogamos de igual para igual, ganhamos da maioria. O único jogo que perdemos (para o Fluminense), não empatamos por pouco, botamos bola na trave. Estamos todos muito confiantes.

O torcedor vascaíno pode começar o ano otimista de que será um 2016 de sorrisos, sem sofrimento?

– Podem ter certeza que faremos de tudo para colocar o Vasco onde merece. O planejamento já está sendo feito com o Jorginho. A torcida pode ficar esperançosa que será um 2016 de vitórias.

Fonte: GloboEsporte.com

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