Saída da Viton 44 significa R$ 11 milhões a menos nos cofres do Vasco em 2016

O refresco Guaraviton inundou o futebol carioca. Neville Proa, dono da fabricante Viton 44, despejou R$ 109 milhões em patrocínios de 2011 a 2015 em Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e Maracanã. Em 2016, a farra acabou. Em público, o empresário culpa a crise econômica, ataca o governo de Dilma Rousseff e diz que sairá do futebol por causa de queda nas vendas. Nos bastidores, trabalha com o amadorismo típico do cartola – quer rasgar os dois contratos remanescentes, com Fluminense e Vasco, sem pagar multa.

Na segunda-feira (4), Neville esteve com dirigentes do Fluminense e propôs o que já havia levado ao Vasco: embora tenha contrato válido até o fim de 2016, quer um acordo amigável para rompê-lo imediatamente. Deixa de pagar, deixa de aparecer na camisa. Na amizade mesmo. O empresário não quer pagar multa nenhuma pela rescisão antecipada. Eurico Miranda, no Vasco, topou. Disse entender os problemas financeiros de Proa e quer só o que ainda está em aberto em relação a 2015. Peter Siemsen, nas Laranjeiras, embora trate a situação também amigavelmente, quer alguma compensação. O rombo nos orçamentos dos clubes é grande. O Fluminense receberia R$ 23 milhões nesta temporada. O Vasco, R$ 11 milhões.

Se cumprisse o que prometeu e pagasse esses R$ 34 milhões, a Viton 44 teria injetado R$ 143 milhões no futebol carioca em seis temporadas. Fora outros acordos menores, com agências de marketing esportivo. Nenhuma outra empresa pôs tanto dinheiro por meio de patrocínios. A Caixa, a mãe mais generosa do futebol brasileiro, e uma companhia consideravelmente maior, colocou R$ 96 milhões nas camisas de Flamengo e Vasco de 2013 a 2015.

Neville tinha boa reputação no Botafogo enquanto ainda era patrocinador. Um dirigente botafoguense daquele período ouvido por ÉPOCA contou que o empresário era “ótimo pagador”. A partir de 2015, deixou de ser. O dono da Viton 44 tem dívidas com todos os patrocinados – R$ 5 milhões devidos ao Fluminense, R$ 4 milhões ao Flamengo, R$ 4 milhões ao Maracanã, R$ 1,5 milhão ao Vasco. O empresário, de reunião em reunião, combina com cartolas prazos mais longos para quitar o que deve. E bateu o pé: chega de futebol.

“Acha que vou botar um dinheiro suado para caramba no futebol? Apesar de que eu adoro futebol, já fui jogador, faço um esforço para pagar, mas minhas vendas caíram. Não é que não tem dinheiro para pagar, mas ficou muito racionado, tá? Tenho que pegar empréstimo em banco. Tudo por causa do que está acontecendo no país”, disse Neville por telefone a ÉPOCA em contato que durou 11 minutos.

Militar reformado, disse que iria para o combate contra o governo de Dilma se ainda fosse jovem. Comprou um apartamento nos Estados Unidos e decidiu tocar o negócio dele de lá. “Ninguém mais consegue viver no Brasil. A situação está caótica. Sabe caótica? Um governo desses. Que já roubou. E é mais roubo, e mais roubo, e mais roubo. Precisa tirar esse governo daí, porque esse governo e nada é a mesma m****”. E adeus ao futebol. “Não vou fazer mais nada, nada, nada, nada, em hipótese nenhuma”. Para o azar dos clubes cariocas.

Fonte: Coluna Época Esporte Clube – Época

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