Clubes brasileiros fomentam app que se tornou febre entre artistas e famosos


O Tik Tok se tornou febre entre famosos em meio à pandemia do novo coronavírus. Os clubes do Brasil aproveitaram o sucesso da ferramenta e entraram na onda. O Flamengo bateu a marca de 1 milhão de seguidores no aplicativo, que também já tem experiências bem-sucedidas na Europa.

“O TikTok é sem dúvida nenhuma a nova tendência mundial de canal digital para engajamento de fãs, e já está havendo uma migração em massa para essa rede social. Os clubes brasileiros precisam se adequar a linguagem dos usuários que aderiram ao TikTok, pois é algo muito mais na linha “fun” e jovem do que outras redes já consolidadas. É outro tipo de conteúdo”, Gustavo Herbetta, fundador e diretor de criação da Lmid, empresa de marketing esportivo, ao UOL Esporte.

No futebol, quem tomou a frente foi a La Liga que atualmente tem 1,4 milhão de seguidores. Para marcar o início da temporada 2019/2020, ela promoveu o lançamento da nova bola do torneio pela plataforma com mais de 100 influenciadores, conteúdo exclusivo e um desafio para engajar o público.

Entre os clubes europeus o pioneiro foi o Barcelona que, com o objetivo de internacionalização da marca e busca de fãs na China, já tem 4,3 milhões de seguidores. O Real Madrid é o segundo com 2,7 milhões e o Liverpool o terceiro com 2,4 milhões.

Ex-superintendente do Corinthhians e antigo gerente comercial da FPF (Federação Paulista de Futebol), Herbetta explica o caso do Flamengo.

“O Flamengo parece ter percebido isso e vem usando a ferramenta com muita propriedade. No “novo normal” que demanda um processo emergencial de digitalização e de inteligência de dados pelos times brasileiros, é mais uma grande oportunidade de engajar e monetizar essa relação entre fãs e clubes”, comentou.

Ex-vice-presidente de marketing do Vasco, Bruno Maia foi o primeiro a usar a ferramenta em um clube do Brasil. À época no time de São Januário, ele criou a conta em abril de 2019 — o primeiro vídeo foi publicado em julho do mesmo ano. O Flamengo foi o segundo, com o primeiro vídeo em outubro.

“O Tiktok surfa muito bem a tendência dos micro-momentos, com um conteúdo que não precisa dizer muita coisa, se não divertir, ser fugaz, como um alívio no meio do dia. Assim como um gif, um meme, que alguém cria e o sentido vai sendo atribuído pela própria rede”, disse o executivo de marketing, atualmente sócio da 14, agência de conteúdo estratégico, ao UOL.

“Uma coisa que chama atenção é a atenção que muitos atletas conseguem chamar pra si como “entertainers” independente do clube que representam. Um dos melhores exemplos é o Lewandowski, que já tem 1,6mi de seguidores por lá. As pessoas querem segui-lo no Tiktok independente de gostarem ou não do time dele – ele, aliás, praticamente não usa uniforme do clube nos conteúdos que gera. Em termos de seguidores, ele já tem praticamente a mesma quantidade que o clube. Em termos de audiência, a média de views por vídeo do atacante é mais de 500% maior do que a do clube”, comentou.

“No primeiro trimestre de 2019, vimos o Tiktok se aproximando de clubes e entidades esportivas e fazendo algumas parcerias institucionais de lançamento em certos territórios, o que era algo novo. As principais redes sociais não tinham esse hábito de buscar os clubes reconhecendo a força deles para potencializar a plataforma. Com isso, começamos a conversar no início de abril, assim que eles se estabeleceram no Brasil e criamos o canal. Ainda demorou um pouco pra começarmos a rodar, pelas dificuldades de ter braços para gerar conteúdo para mais uma rede social numa estrutura enxuta como a do Vasco, mas o pioneirismo veio dessa observação e pró-atividade”, acrescentou.

Gerente de conteúdo da Feng, empresa que cuida das contas de Campeonato Brasileiro e Maracanã, Thiago Barros aponta as diferenças entre o TikTok e outras ferramentes de redes sociais.

“O principal ponto é que ele é um conteúdo bem diferente das outras redes. Não adianta ter um TikTok e usar como o Stories do Instagram. É uma rede onde o bom humor e conteúdos criativos, como desafios e danças, são os principais atrativos”, disse ao UOL.

“O surgimento do TikTok me lembra o do Snapchat, que hoje muita gente nem se lembra mais que existiu, desde que o Instagram lançou os Stories. Então é preciso observar essa ascensão, porque é bem provável que os concorrentes tentem fazer algo diferente ou, quem sabe, comprem a ferramenta. Mas, enquanto não sabemos o que o futuro reserva a ela, vale a pena investir no presente. Está dando ótimos resultados mundo afora”, concluiu.

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