Presidente da comissão médica da CBF fala sobre o retorno das competições

No início do mês, a CBF definiu as datas de retorno do Campeonato Brasileiro feminino e masculino para agosto. O das mulheres, volta em 26 de agosto (série A1) e o dos homens volta antes, em 8 e 9 de agosto (séries A e B). Não dá para dizer que há perspectivas sobre uma melhora na situação da pandemia de coronavírus no Brasil até lá. Se em outros países (os dos principais campeonatos do mundo, por exemplo, na Europa), esperou-se um sinal de controle da doença para determinar o retorno do futebol, por aqui, a lógica foi a volta das atividades econômicas.

No dia 19 de maio, o Brasil registrou pela primeira vez mais de mil mortes em um dia pela Covid-19. Desde então, salvo raras exceções, o país tem mantido a média de mais de mil vidas perdidas diariamente – são mais de 70 dias assim. É possível que no dia 8 de agosto, quando o Brasileiro retorna, a gente ainda veja esse cenário. Mas para o presidente da comissão médica da CBF, Jorge Pagura, o retorno do principal torneio de futebol do Brasil é algo “natural” nesse momento porque “todas as atividades estão voltando”, inclusive bares, restaurantes e parques.

“Você vai de acordo com o que está sendo liberado pelo país, estados e municípios. Os jogos não serão realizados nas cidades que não tiverem essa abertura confirmada pelas autoridades locais. Hoje, nós temos abertura de clubes socioculturais, de piscina, de parques, de restaurantes, de shopping, de lojas. Então as atividades no país estão retornando”, afirmou Pagura em entrevista às dibradoras.

“Nós começamos a falar na volta do futebol – ele também é uma atividade econômica, tem empregos – quando os locais estavam com todas as atividades liberadas. E vamos fazer com um nível de segurança excepcional. Foi preparado protocolo de retorno, como outras atividades prepararam, mas eu diria que poucas atividades tem o controle e a rigidez que nós temos”, reforçou.

O primeiro campeonato a voltar foi o Carioca ainda em meados de junho, depois veio o Paulista e outros estaduais retornando em meados de julho. A situação da pandemia no país ainda é preocupante. Apesar de a taxa de ocupação de leitos em UTIs (um dos critérios utilizados para avaliar a evolução da pandemia) estar menor em muitos estados, o país como um todo ainda bate recordes de novos caso e mortes semanalmente. Questionamos o médico da CBF se, como profissional da saúde, ele avaliava que esse era o momento para o futebol retornar no âmbito nacional.

“Nós não podemos falar em retorno do futebol, nós estamos falando em retorno de atividades. Na hora que as atividade estão abertas, e estão abertos restaurantes, bares, parques, piscinas, shoppings, então obviamente que a pressão pra uma liberação de todas as atividades é grande. A hora que a autoridade de saúde permite, eu vou trabalhar com segurança. Essa é a realidade”, disse Pagura.

“Eu não vou entrar em detalhes se eu faria diferente ou faria assim como foi feito, se é correto ou não, não é o intuito da gente. Mas ninguém pegou, no momento em que estava tudo fechado, e quis ter a volta do futebol. Talvez o futebol seja uma das últimas atividades de todas essas que eu elenquei que estão voltando. Se todas as atividades estão voltando, o futebol também está voltando, e digo pra você com medidas protetivas muito provavelmente das melhores que nós temos em quaisquer atividades.”

Protocolo

Para garantir o retorno em segurança, a CBF definiu um protocolo a ser cumprido por todos os clubes durante a pandemia de coronavírus, que inclui testagem frequente (bancada pela própria CBF) e medidas de distanciamento para evitar contato além daquele extremamente necessário.

Mas as realidades de estrutura de treinamento e jogos das séries A e B do futebol masculino são bem distintas das de séries C e D dos homens e A1 e A2 do futebol feminino. Questionado sobre como seria possível cumprir esse mesmo protocolo em universos tão diferentes, o médico da CBF foi categórico: os clubes terão de se virar para isso.

“A gente faz um protocolo de segurança, vale pra qualquer gênero. Independentemente se é masculino e feminino. A gente tem falado com todos os médicos de clubes e tal. Não há nenhuma diferença, é tudo igual, e é um protocolo muito rígido. A gente não diferencia masculino de feminino, da base, nem nada”, afirmou.

No caso dos alojamentos, por exemplo, muito comuns na base e no futebol feminino, que são locais onde moram os atletas, também haverá um protocolo rígido a ser seguido.

“O pessoal terá que se adaptar ao que estamos fazendo, o Departamento de Competições vai olhar pra isso. Eu não posso diferenciar isso, se não, não funciona mesmo. Nós estamos passando para os clubes toda estrutura que eles precisam ter. Nós temos reuniões com os médicos dos clubes com frequência e eles têm se comprometido com isso. Todos os clubes vão ter que cumprir. É obrigatório e eles vão ter que se adaptar. É uma responsabilidade da CBF e dos clubes.”

As atividades do futebol masculino já voltaram neste mês e as do futebol feminino estão retornando nesta semana com os primeiros testes sendo realizados pelas equipes.

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