Início do ano foi marcado por transferências de executivos; Vasco demitiu Mazzuco e trouxe Alexandre Pássaro

Antes de apresentar Hulk ou qualquer novo jogador para o Atlético-MG, o presidente Sérgio Coelho teve como atos iniciais do mandato demitir Alexandre Mattos e trazer Rodrigo Caetano. O movimento envolvendo dois dos principais executivos de futebol do país dá a tônica do mercado de profissionais remunerados neste começo de ano.

Com calendário e janela de transferências alterados pela pandemia, a movimentação que ganhou espaço foi a de dirigentes. As trocas em cargos estratégicos ganharam amplitude com a coincidência de eleições presidentes em diversos clubes da Série A — exemplo que ocorreu no próprio Atlético.

Há um nítido efeito dominó com as entradas e saídas de executivos. Rodrigo Caetano só foi parar no Atlético porque deixou o Internacional. A vaga foi preenchida por Paulo Bracks, que estava no América-MG. Advogado e ex-auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Bracks deixou o terno e os julgamentos para focar na nova carreira.

— O que os clubes fizeram, principalmente quem teve mudança na presidência, foi trocar pensamento, metodologia. Alguns executivos são mais parecidos entre si. Mas tem quem seja mais centralizador ou mais democrático. Tem o feroz no mercado de contratações e o outro que dá equilíbrio na gestão de pessoas — analisa Bracks.

As mudanças no mercado não se restringem à figura do executivo de futebol. No São Paulo, houve troca na diretoria financeira (Elias Albarello por Sérgio Pimenta) e de marketing (João Fernando Rossi por Eduardo Toni).

No Corinthians, a chegada de Duílio Monteiro Alves à presidência impactou não só no futebol, mas também no marketing, setor estratégico para captação de novas receitas. José Colagrossi passou a ser o superintendente, função de profissional remunerado.

Com novos dirigentes, o organograma fica suscetível a adaptações. No Vasco de Jorge Salgado, por exemplo, criou-se o cargo de CEO, preenchido por Luiz Mello.

— Se sai um governador de um estado, sempre acontece mudança no secretariado, ainda que seja do mesmo partido do anterior — comparou o presidente do Atlético-MG.

Olho no passo seguinte

Como a janela de transferências só se abrirá após o Brasileirão, o aquecimento do mercado de dirigentes antecede a montagem do elenco e o pensamento em relação a qual técnico comandará os times em 2021. A circunstância força a adoção de uma estratégia que, em tese, deveria ser a regra.

— Acredito que a participação do executivo desde o início do processo de construção de um elenco pode ser um diferencial para a sequência da temporada — diz Rui Costa, que só sucederia Raí no São Paulo após o Brasileirão, mas viu a chegada ser antecipada com a demissão do técnico Fernando Diniz.

O que Rui Costa encontra no futebol do São Paulo é um clube que patinou na Copa do Brasil e Brasileirão e viu a estrutura ruir. Bracks, por outro lado, se depara com o desafio de não destruir o que já vinha dando certo no atual líder da Série A.

— Achei extremamente positivo porque me permite dar continuidade a um trabalho bem feito que já tínhamos aqui e me dá tempo de fazer um diagnóstico para o início da temporada. Eu tenho a amostra do dia dia — explica ele.

O Internacional, inclusive, tem exemplo de troca de dirigente estatutário na área das finanças, com a volta de Leandro Bergmann. Mas o executivo remunerado, Giovane Zanardo, ficou. O Corinthians adotou a mesma estratégia ao manter Roberto Gavioli como gerente financeiro.

Reflexos na base

Exemplos do vaivém dos dirigentes apontam também que as mudanças no topo da cadeia influenciam nas categorias de base. Figuras do mercado entendem que a montagem do time está cada vez mais relacionada aos talentos que os clubes produzem em casa.

Como Rodrigo Caetano foi do Internacional para o Atlético-MG, quem repetiu a mesma rota foi Erasmo Damiani, gerente da base colorada. Sobrou para Júnior Chávare. Ele já suspeitava que a entrada do novo presidente pudesse deixar seu cargo em risco. Uma conversa com o próprio Caetano em janeiro deixou mais claro o cenário que seria oficializado no mês seguinte, apesar do título do Brasileirão Sub-20.

— Caetano foi muito transparente, dizendo que haveria um período de transição. Praticamente acertamos que a gente acabaria o Brasileiro Sub-20 e aproveitaríamos o tempo para que nós pudéssemos passar todas informações — disse Chávare.

Botafogo e Santos, diante da reformulação pós-eleição, recorreram a empresas especializadas em contratação de profissionais: os chamados “headhunters”.

No clube carioca, o cargo em questão é o de CEO, considerado pelo presidente Durcesio Mello como crucial para contratar outros profissionais, como o diretor financeiro. No futebol, o Bota buscou o diretor Eduardo Freeland, que estava na base do Flamengo.

O Santos, por sua vez, quer preencher lacunas em vagas ligadas ao marketing: produto e relacionamento. A gestão Andrés Rueda já tinha feito um processo seletivo que culminou com a contratação de Felipe Gil para ser coordenador (remunerado) da base.

Mesmo quem não teve troca de presidente, como o Bahia, aproveitou a reta final de Brasileirão para acelerar reformulações. Guilherme Bellintani, que atua como um CEO já que recebe remuneração para a função, aproveitou a saída de Diego Cerri para desenhar uma nova estrutura.

O executivo mais central será de Lucas Drubscky, ex- Sport, que atuará junto clubes e empresários. Em meio à ameaça de rebaixamento, o Bahia entende que não pode cometer os mesmos erros de 2020. Para isso, buscará um coordenador técnico e um diretor de scout.

Fonte: O Globo Online

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