Vasco calcula rombo de R$ 70 milhões com rebaixamento para a Série B do Brasileiro

Na manhã desta sexta-feira (30) o Vasco apresentou o seu balanço orçamentário do ano 2020 e revelou um aumento da dívida do clube, que chegou à casa dos R$ 832 milhões, sendo que R$ 314 milhões deste valor precisarão ser pagos ainda em 2021. Em entrevista coletiva, o presidente Jorge Salgado e o vice-presidente de finanças, Adriano Mendes, falaram sobre o momento delicado do Cruz-Maltino, mas passaram confiança à torcida de que o problema será sanado durante esta nova gestão, que completou três meses agora em abril.

Dos valores apresentados, Adriano Mendes citou que a dívida trabalhista foi a que mais aumentou, com um crescimento na casa do R$ 80 milhões, e por isso, segundo o dirigente, o clube precisou demitir muitos funcionários no início do ano. Além disso, o rebaixamento para a Série B, no Campeonato Brasileiro de 2020, também trouxe prejuízo, e o rombo calculado é de R$ 70 milhões só neste quesito.

“A situação é o que é, sofremos com a dificuldade ao longo do tempo. O amor incondicional do Vasco a gente não abandona. É uma dívida muito alta, de fato é muito grande, não deveríamos ter chegado à ela, é um patamar, um nível muito ruim para podermos tratar e vamos tratar. O pior dessa dívida não é só ser grande, é o desafio que está ali colocado de vencerem R$ 314 milhões num curto prazo, ela tem um perfil ruim. Estamos falando dos seus 40% vencendo já no ano seguinte, que é este ano que estamos vivendo agora. É um desafio de volume, perfil temporal, é um quadro nem ruim. Um clube como o nosso, que tem uma dívida enorme, que estrangula o clube no curto prazo, inclusive com mais de R$ 300 milhões em dívidas vencendo, ele necessariamente precisa de uma gestão mínima, visando um lucro para poder abater a dívida. Isso não é uma opção, é uma obrigação. Você olha para os números e vê a dificuldade que teve e tem nos últimos anos. Em 2018, por exemplo, o dinheiro da venda de jogadores, em uma gestão mais austera, você teve um lucro, e em 2019 e 2020 você tem um pouco a reversão, a dificuldade nossa de vender jogadores em 2019, aí você tem os problemas maiores em 2020. O fato é o número, ele conversa conosco, tivemos um prejuízo de R$ 64 milhões com uma dívida que chegou a mais de R$ 800 milhões. Esse quadro é incompatível, ele não pode ser aceito como planejamento de gestão e isso que vamos combater. Vamos combater este volume de dívida de forma a atacar, tentar reestruturar, ter o entendimento dos credores. Tratar esta dívida de forma responsável e, evidentemente, reverter esta tendência do clube. A receita é como o bolo vai ser dividido, como você vai tratar os recursos do clube. Esse é o quadro principal”, começou por dizer o VP de Finanças.

“Por que a dívida aumentou tanto? O primeiro ponto, menor, mas igualmente importante, é a questão do desempenho econômico. Um prejuízo aumenta a dívida. O próprio resultado de R$ 60, R$ 70 milhões, ele aumenta a dívida. O segundo evento é a questão trabalhista. Em outubro do ano passado, o escritório jurídico apresentou ao departamento financeiro do clube um aumento inesperado de ações, que vinham de longa data, que até então não eram conhecidas pelo departamento financeiro do clube. Feito isso, o Vasco, o departamento financeiro teve estranheza do número, foram mais de R$ 80 milhões no número de aumento desta dívida. Assumimos e esta gestão, ao tomar conhecimento desta situação, esta coisa inesperada, o que fizemos? Tomar ciência exata dela para não termos mais surpresas, endereçar ações para tentar gerir esta dívida, pensar na renegociação dos credores. Contratamos uma auditoria, que tomou pé da situação, entregou um relatório e adicionou outros valores. Essa análise foi feita. O total desta dívida trabalhista, que foi informada em outubro, revisada, há um efeito de R$ 120 milhões. A maior parte é tributária. Esse é o quadro que a gente vai se defrontar, é um imenso desafio e o nosso foco é encontrar uma solução para esta dívida que chegou ao seu ápice”, prosseguiu.

“A receita desceu para abaixo de R$ 200 milhões. O que esse número fala? Perdemos R$ 17 milhões que estavam incluídos no Carioca, basicamente você tinha esse valor, que agora vai passar longe. O maior problema foi o rebaixamento na Série B, tem um efeito financeiro grande, vai entre R$ 60, R$ 70 milhões, se você tirar tudo isso, aquela receita sem nenhum ganho de deficiência, vai para R$ 100 milhões. Esta receita nunca foi tão reduzida, isso é uma realidade. A gente olhando para o resultado, é um pouco endereçar o óbvio. Temos que ter coragem de não desafiar a lógica, precisamos ter superávit para tratar a dívida de R$ 800 milhões, precisamos de superávit para ter um time forte e para ter o Vasco da Gama que queremos. De fato tem um problema, o desafio é grande. Em 2020, com R$ 192 milhões de receita, você teve despesa na ordem de R$ 250 milhões. Agora com R$ 100 milhões, vamos fazer o que temos que fazer pelo Vasco. Lamentamos muito as demissões que foram feitas, ninguém gosta de demitir, é duro para a gente. A gente tinha uma receita de R$ 100 milhões, não dá para manter despesas na casa de R$ 250 milhões”, disse.

“Tem os resultados desportivos, lamentados por todos, ano passado culminou com o descenso, é doloroso. Teve pouco controle orçamentário sobre os gastos do futebol. A reformulação completa que estamos fazendo é também na questão de pagar. A gestão do futebol, se foi ineficiente, carrega o clube todo. Isto está sendo combatido. Temos um problema e vamos encará-lo”, concluiu.

Além da dívida trabalhista, que foi muito alta, outros dois números também chamaram atenção: a dívida bancária, na casa dos R$ 121 milhões, e a tributária, de R$ 331 milhões.

Em relação à sua gestão, que se encerrá em 2023, Jorge Salgado falou sobre a confiança que tem no seu projeto de reestruturação do Vasco. O presidente ainda citou algumas das medidas que já vêm sendo feitas, incluindo o início do processo de reforma do Estádio de São Januário.

“É muito bom para mim estar falando com vocês para mostrar algumas das realizações que temos feito. Estamos completando 3 meses e parece que estamos há muito mais tempo. A reforma administrativa já começou a ser feita, infelizmente tínhamos um quadro inchado de funcionários, tivemos que fazer uma readequação. Na área administrativa, contratamos um CEO, começamos uma auditoria na área financeira. No futebol, tivemos também avanços importantes, trouxemos o Alexandre Pássaro, que está fazendo uma readequação grande no futebol, com contratos e custos no departamento. Trouxemos o (Marcelo) Cabo como treinador…começamos esta temporada do Campeonato da Série B com muito otimismo. Estamos organizados, com um time bom, forte, acho que temos uma projeção muito boa do ponto de vista do futebol. Avançamos na área de patrimônio, projetos que estão avançando, como a reformulação de São Januário, CT, e o projeto de construção do nosso centro de esportes olímpicos. Esse trabalho vai continuar pelos próximos 3 anos, queremos tornar este clube em um clube equilibrado no que diz respeito à lucro e despesa. Queremos recolocar um Vasco como um clube de ponta esportivamente, como também na governança. Salários atrasados serão coisas do passado na nossa administração. Nossa reestruturação começou cedo e está em andamento. Vamos sair desta situação, encontramos uma situação mais complicada do que imaginávamos. Tenho uma equipe muito competente, motivada para resolver estes problemas e vamos conseguir resolver. Nada vai nos afastar deste caminho. A gente está muito confiante, vamos sair disso e entregar um Vasco muito melhor daqui a três anos”, finalizou.

Fonte: ESPN.com.br

✠ ✠ ✠ Escreva um comentário ✠ ✠ ✠