Alexandre Pássaro revela que pediu para Talles viajar disfarçado e que Germán Cano ajudou na chegada de Sarrafiore

Após uma semana agitada, com movimentações de saídas (Talles, Carlinhos e Marcos Jr.), chegada de reforço (Sarrafiore) e compra definitiva de dois jogadores (MT e Galarza), o diretor-executivo de futebol do Vasco, Alexandre Pássaro, participou do podcast GE Vasco #120, nesta sexta-feira.

Em mais de 1h20 de entrevista, o dirigente detalhou o processo de contratações do clube e explicou o perfil de jogador que ainda busca no mercado. Pássaro também falou sobre a situação financeira do Vasco, contou como ocorreu o acerto com Sarrafiore, anunciado nesta sexta, e revelou detalhes da venda de Talles. O atacante, vendido nesta semana ao NY City, viajou disfarçado para que a negociação não vazasse.

– Era uma negociação que não podia vazar de jeito nenhum. Teve nossa preocupação com a questão da viagem, do aeroporto. O Talles tem aquele cabelo dele, é alto, normalmente usa aquelas roupas de jogador de futebol, chama atenção…

– No sábado, quando ele assinou o contrato na minha sala, eu falei : “Talles, amanhã você vai inteiro de preto, de máscara, de boné enterrado na cabeça”. Ele falou: “Vou de óculos”. Eu respondi: “Vai ser à noite, não vai de óculos, vai chamar atenção pelo outro lado”. Eu perguntei: “Com qual tênis você vai?”. Ele falou: “Vou com esse aqui que eu estou”. Era um tênis rosa, todo pintado. Falei para ir com outro, mais simples.

– E mesmo assim o reconheceram na fila do raio-x. Combinei com ele e o Luiz Mello, que viajou com ele, para serem os últimos a entrar no avião. Senão entra antes, fica na fila, vê um monte de gente. Curiosamente, quando chegaram lá em Nova York, vazou de dentro do New York City. Os diretores me ligaram, pediram desculpas.

Ajuda de Cano e Cuesta com Sarrafiore

Sobre a contratação de Sarrafiore, Pássaro revelou que o argentino ocupava o primeiro lugar na lista de possíveis reforços para a meia. Quando o clube identificou a necessidade de contratar mais um jogador para a posição, logo iniciou conversas com o argentino. Para acelerar o processo, o dirigente contou com a ajuda do zagueiro colorado Cuesta, de Cano e até da mulher do goleador vascaíno.

– Depois de monitorarmos o mercado por dois meses, criamos uma lista por posição. Na verdade, é um quadro, com um campo de futebol. Em cada posição tem uma lista de nomes por ordem de preferência. E o Sarrafiore era o nosso primeiro nome para meia.

– Falamos com o Cabo, a coisa ficou fácil na hora de tomar decisão. Falei com o Inter, o Cabo falou com o Sarrafiore, depois eu falei. Ele se encantou com o projeto. Teve proposta de vários clubes de Séries A e B, mas não estava convencido. Coloquei o Cano para falar com ele. O Cano já tinha falado com o Cuesta para pegar referências. O Cuesta passou muitas coisas boas. Depois o Cano falou com o Sarrafiore, a mulher do Cano falou com a mulher do Sarrafiore. Coloquei os argentinos para se falarem. Ele se convenceu, gostou do nosso projeto.

Principal responsável pela reformulação do futebol, o que inclui reduzir gastos, Pássaro também abordou os cortes no clube como um todo. O dirigente ressaltou que, tanto em relação aos colaboradores quanto em relação ao futebol, os gastos mensais com salários caíram pelo menos pela metade.

– Vou falar como Vasco e até entrar na área do Adriano Mendes (VP de Finanças), do Salgado (presidente) e do Luiz Mello (CEO). A folha do Vasco, considerando funcionários e jogadores, era de R$ 10,8 milhões em dezembro, hoje é de R$ 5,2 milhões. Uma redução de mais de 50%. E a folha do futebol, em valores brutos, é de cerca de R$ 2,5 milhões. É a folha do futebol profissional, sem contar acordos. Quando cheguei, a folha do futebol era de quase R$ 5 milhões. Ninguém precisa saber fazer conta para ver que a folha de quase R$ 11 milhões por mês era impagável e impraticável.

Durante a entrevista, Pássaro comentou diversos outros temas, como a renovação e uma eventual venda de Andrey, explicou seu comportamento em negociações, com a imprensa e até nos jogos, quando não costuma pegar leve com a arbitragem. Ele ainda revelou que estava no Maracanã quando recebeu o convite de Jorge Salgado para assumir o futebol do Vasco. Ouça a entrevista na íntegra no podcast.

 

Fonte: GloboEsporte.com

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