Executivo de futebol do Vasco, Alexandre Pássaro explica critérios e procedimento para contratação de jogadores

Desde o fim do Brasileirão, em fevereiro, o Vasco acertou a contratação de oito jogadores. O executivo de futebol do clube, Alexandre Pássaro, reconhece que o elenco não está fechado. Busca, por exemplo, um centroavante bom no jogo aéreo. Em dificuldades financeiras, como o departamento procura atletas no mercado? O ge responde a uma das perguntas frequentes dos torcedores nos últimos meses.

– Depois de monitorarmos o mercado por dois meses, criamos uma lista por posição. Na verdade, é um quadro com um campo de futebol. Em cada posição tem uma lista de nomes por ordem de preferência. E o Sarrafiore era o nosso primeiro nome para meia.

Assim Alexandre Pássaro explicou como o Vasco chegou ao nome de Sarrafiore, reforço anunciado na última sexta-feira. Mas o processo de contratação do clube é bem mais complexo. Até chegar ao quadro em que o argentino se destacou como “primeiro nome” para a meia, há diversas etapas a serem vencidas.

Primeiramente há uma constante troca de informações entre analistas de mercado, de desempenho e os que fazem a captação de reforços para a base.

Quando se chega a um nome, o departamento de futebol classifica tual temporada — Foto: Rafael Ribeiro/Vasco da Gama

Passados esses processos, há uma avaliação para saber se o possível reforço tem espaço no elenco do Vasco e se sua chegada, por exemplo, não inviabilizaria o crescimento de uma promessa da base com características semelhantes.

Fora os critérios técnicos, obviamente a escolha dos reforços tem o dedo do treinador e da comissão. Pássaro, em longa explicação, destacou o quanto Marcelo Cabo e seus auxiliares (Gabriel Cabo e Fábio Cortez) conhecem o mercado brasileiro.

Confira, em tópicos, a explicação detalhada de Alexandre Pássaro sobre como funciona o processo de contratação no Vasco:

Interação entre analistas de mercado, de desempenho e os da base

– O que a gente tem no processo técnico? A gente analisa várias coisas. Nosso departamento de análise de mercado é composto por cinco profissionais, mas também inclui o mercado da base. Esse mesmo departamento captou o Galarza no ano passado, captou o MT e agora captou o Emerson Urso, do São Caetano. Então ele se mistura com a base, porque para nós faz todo sentido.

– Faz todo sentido que o mesmo scout que esteja olhando o Sarrafiore também esteja olhando o jogador da base. Talvez ele vá olhar o Sarrafiore ou qualquer outro jogador e vá dizer: “Olha, nós temos um aqui no sub-20 com a mesmas características. Se a gente trouxer determinado jogador, pode ser que a gente tampe o crescimento”. Então é importante ter as pessoas olhando o processo todo.

Avaliação dos atletas com vídeos e ajuda dos analistas de desempenho

– Hoje a gente acaba vendo os jogadores basicamente por vídeo. Existe em determinado momento uma interação com o nosso setor de análise de desempenho. Por quê? Porque quando a gente vai olhar, por exemplo, o Ernando, os nossos analistas de desempenho conhecem o Ernando porque eles analisam o nosso time e o adversário. Agora os nossos analistas de desempenho estão olhando o Botafogo, o jogo que passou, e o Operário.

– O analista de mercado não está olhando o Botafogo e o Operário. A gente separa assim, mas em algum momento eles conversam porque o nosso analista de desempenho às vezes já enfrentou ou já analisou um time em que o Ernando jogava por umas sete ou oito vezes. Então também sabe como foram os jogos.

Classificação de características em A, B, C e D

– Aí eles montam uma ficha do jogador com muitas informações. Há as informações básicas, como altura, peso, idade, etc… Informação de histórico. A gente classifica entre A, B, C e D o jogador. Classifica em A, B, C e D o nível de competitividade da liga, risco de lesão e comportamento extracampo, dentro do que a gente consegue analisar, lógico. Minutagem nos últimos dois anos.

– Aí a gente faz um ranking sobre o nosso campeonato. No Campeonato Brasileiro, por exemplo, quem são os três principais atacantes que estão no nível A? Quem são os três que estão no nível B, C e assim por diante?

– Quando a gente classificar que o jogador é nível B, então quem que é B também para a gente entender em qual nível o jogador está? Aí a gente faz uma lista do nosso elenco.

Exemplo com Vanderlei

– Se vamos contratar um goleiro, vamos fazer uma lista com Lucão, Alexandre e Fintelman. Vamos tratar como se não tivéssemos trazido o Vanderlei ainda. Onde fica o Vanderlei dentro dessa escada em questão de nível? Porque às vezes vejo que um jogador vai ser o terceiro lateral-direito dentro dessa análise, então vai ser muito difícil trazê-lo.

– Esse é o nosso processo técnico de decisão hoje, além de informações das quais não podemos nunca esquecer. Isso é um acessório para nos basear. Mas aí o Fabiano (Lunz, gerente de futebol) conhece o jogador ou conhece alguém que trabalhou com o jogador.

– O Rodrigo Ramos (supervisor de futebol), que tem uma uma rodagem boa e também em Série B, às vezes já tem informação. A gente bate um papo. O Cabo conhece muitos jogadores, o filho dele também conhece, o Fábio também.

– O Sarrafiore, por exemplo, trabalhou com nosso preparador físico Daniel Félix no Coritiba. Então eu consegui também ter informação física. Isso acaba formando o nosso processo de decisão técnica.

Fonte: GloboEsporte.com

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