MT fala sobre sua trajetória, compra pelo Vasco e seu momento no time titular

Tudo na vida de MT foi tão rápido que, menos de dois meses após o Vasco fazer o investimento de comprá-lo, deu resultado. Titular de Marcelo Cabo, a polivalente promessa está acostumada a encarar situações precoces: aos nove anos, ainda no futsal em Cabo Frio, cidade natal, percebeu que desejava ser atleta; mudou para o campo aos 17, o que significa ter apenas três anos de carreira; aos 20, assumiu a missão ao lado dos seus companheiros de tentar reconduzir o time de São Januário à elite do futebol brasileiro.

As drásticas mudanças, obviamente, geraram dificuldades. Porém, não significaram uma trajetória bagunçada. O futsal deu a MT controle de bola e drible curto, virtudes das quais consegue tirar proveito na grama.

A Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2019, a primeira grande competição pelo Volta Redonda, rendeu um confronto com o Vasco e o passaporte para se mudar ao Rio. A paralisação do futebol pela pandemia, no ano passado, lhe deu a oportunidade de melhorar o físico. E, com a recente lesão, teve o tempo necessário para, com a psicóloga do clube, ganhar mais confiança.

– Fiquei muito feliz quando soube que seria comprado pelo Vasco. Foi resultado de muito trabalho e esforço. Acabei sendo recompensado. Sonho? Primeiro quero fazer história no Vasco, clube que me deu oportunidade. O que vier depois é consequência do trabalho. Tudo depende de hoje para pensar no amanhã. Quero voltar com o Vasco para a Série A, mas tenho o sonho de criança de ganhar uma Copa do Mundo com a Seleção.

Enquanto isso não acontece, MT viveu a emoção de fazer o primeiro gol pelo profissional do Vasco: o da vitória por 1 a 0 sobre o Confiança. Na comemoração, com as duas mãos, fez duas letras “C”. Referência a Carlos e Cátia, seus pais. Ele não vê a hora de o público poder voltar a frequentar estádios:

– É o que eu mais quero! Ver meu pai na arquibancada torcendo por mim. Nossa relação sempre foi muito boa. Meu pai sempre apoiou meu sonho desde pequeno, ele tinha uma escolinha em Cabo Frio. Depois eu tive que largar, mas ele sempre me apoiou e é uma das pessoas que mais me apoiam até hoje. Minha mãe também.

Abaixo, a entrevista de MT. O jovem, ainda um pouco tímido, fala do começo da carreira, do aprendizado com a lesão e, claro, do Vasco. Confira!

Como começou a gostar de jogar futebol?

– Comecei na Educação Física da escola. O professor tinha uma escolinha e me viu jogar. Eu tinha 9 anos, não era nada sério, eu jogava mais para me divertir. Mas aí fui jogando umas competições, algumas no Rio de Janeiro. Fui gostando, levando a sério e falei com meu pai que era isso que eu queria.

Como foi a ida para Volta Redonda?

– Foi interessante. Eu nunca tinha jogado em campo. Jogava futsal. Nem ligava para campo, era só futsal, futsal, futsal. Mas conversei com meu pai, ele disse que era uma oportunidade boa e fui para ver no que daria. Eu tinha 17 anos e fui sozinho. Morava numa pensão. O começo foi meio difícil.

Então você começou no campo com 17 anos. Você sente muita diferença?

– Foi diferente porque no futsal são oito pessoas na quadra. No campo é aquele bando de gente. O Marcão (então técnico do sub-20 do Volta Redonda) me ajudou, passou os macetes. Hoje estou acostumado. É tranquilo.

Algumas grandes revelações do Vasco vieram do futsal, casos de Pedrinho e Felipe, por exemplo. Como ter começado no futsal te ajuda no campo hoje em dia?

– Me ajuda muito. O drible curto, o toque rápido. No futsal é tudo muito rápido.

Qual foi a maior dificuldade que você teve nessa transição para o campo?

– A questão de posicionamento. Como era muita gente, eu ficava perdido, sem saber para onde ir. O Marcão me ajudou muito, me passou os atalhos nessa transição para o campo.

Como foi a ida para o Vasco? Como surgiu o convite?

– Foi depois da Copinha (Copa São Paulo). Eu tinha acabado de subir para o sub-20 do Volta Redonda. Enfrentamos o Vasco na Copinha. Depois do jogo, eu já estava em Cabo Frio, meu empresário me procurou, disse que o Vasco tinha gostado de mim e perguntou se eu topava. Claro! Fiquei feliz pra caramba. Eu tinha acabado de fazer 18 anos.

Então você ficou pouco tempo no Volta Redonda.

– Sim, foram seis meses. Foi tudo bem rápido com o Vasco. Fiquei sabendo quando já estava tudo praticamente fechado.

Já era MT na época?

– Já era. Começou no Volta Redonda. Todo mundo tinha apelido, “Bebê”, “Charuto”. No começo todos me chamavam de “Cabeludo”, mas não pegou. Aí o Bebê, que tinha jogado no Vasco, disse que tinha um parceiro que se chamava MT. Aí pegou.

Sua carreira é curta em clubes, você chegou ao campo há apenas três anos e foi comprado definitivamente pelo Vasco neste ano. Foi tudo muito rápido, né?

– Sim. Acho que o que mais me ajudou foi o período de treinos durante a pandemia, antes de eu saber que seria comprado. Eu intensifiquei o trabalho físico, treinei muito. Quando voltamos a jogar, foi quando fiz mais sucesso no sub-20, com gols, jogando em uma nova posição (ataque).

O que você fez nesses treinos durante a pandemia?

– Trabalhei a resistência, a parte muscular. É algo que faço até hoje e vem me ajudando bastante.

Você falou que uma das suas dificuldades foi a adaptação à nova posição. Qual foi essa nova posição e em qual posição você prefere jogar? Você já jogou como lateral, volante, meia, atacante…

– No sub-20 eu joguei como atacante, falso 9. Mas eu jogo como meia. É a minha posição. Mas eu gosto é de jogar, independentemente da posição. Estou para jogo. Jogando está bom. No Volta Redonda eu jogava como segundo volante.

Nesse início no profissional, você estreou, a torcida gostou, mas logo você teve uma lesão séria e ficou quase três meses fora. Como foi esse período de readaptação? O coordenador médico do Vasco, Gustavo Caldeira, contou que você estava doido para voltar, mas tiveram que te segurar para trabalhar a parte física.

– A parte mais difícil da recuperação foi o início, nas primeiras semanas. Eu sentia dor quando corria. Fiquei na academia, malhando, não sentia nada e estava doido para jogar. O trabalho com a psicóloga me ajudou bastaste a manter o foco, trabalhar e não perder a cabeça. Fiz muita musculação para fortalecer. Fiquei mais forte para não voltar a ter mais essa lesão.

Foi um período difícil. Tinha acabado de subir, vinha jogando… Aí do nada você fica um período fora. No primeiro mês foi muito difícil. O trabalho com a psicóloga me ajudou bastante, ela passava uns trabalhos que me ajudaram muito. Fiquei com receio do tempo que ficaria parado, não sabia quando voltaria. Não era uma lesão muscular. O trabalho na academia foi importante para fortalecer e me ajudar a voltar mais rápido.

Como a psicóloga te ajudou?

– A manter o foco. Eu não gostava de fazer academia. É difícil o atleta gostar. Mas ela me explicou que seria algo que me ajudaria a voltar mais rapidamente. Passei a ir feliz para academia.

E voltou jogando e fazendo gol… O que significa a comemoração com as mãos?

– Muito feliz. Ainda mais com esse primeiro gol. Pude ajudar o time. O importante é seguir forte. São as iniciais dos meus pais. Eles se chamam Carlos e Cátia. Comecei a fazer na base. Falei com eles depois do gol. Meu pai estava vindo para o Rio de Janeiro no dia e viu o gol dentro do carro.

Seus pais ainda moram em Cabo Frio. E você mora sozinho no Rio de Janeiro?

– Moro com o Juninho. Eu, Juninho, a mãe e a irmã dele. Eu morava na concentração do Vasco, em São Januário. Mas fica longe do CT. Quando passei para o profissional, ele me chamou para morar com ele. É mais perto. Conheço o Juninho há bastante tempo, lá de Volta Redonda.

O que aconteceu no final do jogo contra o Goiás, que você perdeu a cabeça?

– Já estava de cabeça quente por causa do jogo. Rolaram umas discussões, o sangue subiu, queria ir para dentro. Peço desculpas ao jogador do Goiás. Foi coisa de momento. Perdi a cabeça, estava cego. Mas foi coisa de momento e passou.

Você tem alguma referência no futebol?

– Gosto muito do Ronaldinho Gaúcho. O cara fez umas coisas que você não vê hoje em dia. A alegria dele nos dribles. É um cara que sempre me inspirou.

O Vasco sempre revelou muitos jogadores. Mas nos últimos anos temos visto uma molecada muito talentosa, que chega no profissional e tem dificuldade para se firmar e ter uma regularidade. Por que acontece isso e você se sente preparado para ter uma sequência?

– É um trabalho mental, de confiança. Depende muito da pessoa. Uma coisa que ajuda muito é a questão da confiança. Faço um trabalho com a psicóloga. Eu entro confiante em campo. A questão da cobrança existe em um clube grande. É normal, temos que estar acostumados e preparados para isso. A gente vem trabalhando para ajudar o Vasco e sempre tentar melhorar para conseguirmos os resultados para levar o Vasco à Série A, onde ele tem que estar.

Nunca quiserem cortar seu cabelo no Vasco? Teve um dia que todo mundo apareceu de cabelo raspado? Conseguiu escapar?

– Escapei, mas não muito. Quiseram raspar meu cabelo, mas não deixei. Aí o Juninho e o Andrey rasparam a minha sobrancelha (risos). Fiquei sem sobrancelha. Melhor do que ficar careca. Foi logo depois que eu machuquei. Não dava para ficar careca, não (risos).

Fonte: ge

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