Daniel Amorim foi servente de pedreiro e entregador de pão e ouviu que deveria desistir do futebol

Antes de chegar ao Vasco da Gama, que luta para voltar à Série A do Campeonato Brasileiro, Daniel Amorim precisou vencer a desconfiança de quem não acreditou que ele seria jogador de futebol. Criado em Tombos-MG, o atacante perdeu o pai quando tinha apenas 13 anos e viu sua mãe se desdobrar para sustentar a família.

Ainda adolescente, Daniel ajudava em casa trabalhando como servente de pedreiro e entregador de pães ao mesmo tempo em que atuava no futebol de várzea.

Ele praticamente não teve categoria de base, tendo jogado somente dois campeonatos sub-20 por São José-SP e Santarritense-MG.

“A parte mais difícil é que a base dos times grandes te prepara para enfrentar as pressões para você não chegar cru ao profissional. Eu tive que aprender tudo em meio a cobrança e vivendo as coisas pela primeira vez. Até nisso Deus me capacitou, porque consegui ter bons resultados”, disse Daniel ao ESPN.com.br.

“A maioria das vezes o futebol vai pelo currículo, nem pelo que o cara está produzindo. Por ter começado mais tarde e não ter jogado em um time de expressão e fazer testes, eu sofria desconfiança. Nunca fui pelo que os outros falam. Todo mundo falava que eu estava velho e deveria desistir. Mas isso entrava por um ouvido e saía pelo outro. Um dia eu imaginava que as coisas iriam acontecer”, contou.

Em 2011, foi aprovado em um teste no time profissional do Aquidauanense-MS, aos 20 anos.

“Estava parado em casa trabalhando quando recebi o convite de um empresário e aceitei na hora. Fui artilheiro e vice campeão estadual. Foi uma campanha histórica porque conseguimos uma vaga na Copa do Brasil”.

Chance no Vasco

Em seguida, passou por Marília, Brasiliense e Tupi-MG antes de voltar para casa. Aos 22 anos, estava desempregado e pediu ao presidente do Tombense-MG para treinar.

“O técnico do time era o Marcelo Cabo, que gostou de mim e pediu para eu ficar. Depois disso, nunca mais fiquei desempregado”, afirmou o jogador que é o maior artilheiro da história do clube mineiro.

Desde 2013, Daniel Amorim foi emprestado pelo Tombense para Madureira, Duque de Caxias, Paysandu, Cuiabá, Avaí, CRB e Vasco.

Em 2019, o atacante vivia uma grande fase no Avaí, sendo um dos maiores artilheiros do Brasil, com 14 gols, quando sofreu uma lesão no joelho. Ele precisou operar e ficar vários meses parado antes de voltar aos gramados no ano passado.

Depois de jogar pelo CRB-AL, ele voltou ao Tombense para jogar o Mineiro e a Copa do Brasil de 2021. Em sete jogos, marcou seis gols e voltou para a vitrine do futebol.

“Nós enfrentamos o Vasco pela Copa do Brasil e eu queria arrebentar para um time grande ficar de olho. Fui bem e fiz gol. Tinha o sonho de jogar em um clube grande do Brasil”, contou.

Daniel viu a chance aparecer depois de ser indicado por Marcelo Cabo ao Vasco.

“Quando veio a oferta já aceitei. O difícil não é chegar, mas se manter e fazer boas apresentações pelo time. Não posso me deslumbrar porque estou no Vasco. Preciso fazer o que sei. Depois que você vira jogador começa a criar objetivos”.

O atacante procura observar nomes consagrados como Fred, Guerrero e Ricardo Oliveira para melhorar e espera ajudar no acesso do Vasco para a elite outra vez. Aos 31 anos, ele ainda tem muita história para viver no futebol.

“Nós queremos subir para a Série A e brigar por titulo da Série B. Quero continuar em um time grande e vencer títulos”, finalizou.

O Vasco volta a campo contra o Brasil de Pelotas, nesta sexta-feira (03), às 19h (de Brasília).

 

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