Aos 40 anos, Nenê vira a referência do Vasco na busca do acesso à Série A

O recorte de três jogos ainda é pequeno, mas hoje não há vascaíno que reprove a volta de Nenê ao clube. Após quase quatro anos, o meia retornou para ser referência técnica de um time que vinha mal das pernas, mas também para assumir o papel de líder em um elenco com tantos garotos. Mais do que isso, o veterano de 40 anos tem sido decisivo e assumiu a responsabilidade de reconduzir o Vasco à Série A, ainda que a missão seja complicada.

Impressiona a rapidez com que Nenê incorporou a liderança em campo. Tecnicamente, a carreira e o talento do quarentão falam por si só. Mas a vontade e a alegria de jogar que o camisa 77 tem demonstrado chamam a atenção e contagiam o time.

– Ele é um exemplo pela paixão no futebol. Acrescenta muito ao futebol brasileiro, tem gosto de jogar. Futebol tem dinheiro envolvido, muita projeção, mas o Nenê é um “nenê”. Um apaixonado pelo futebol, assim como eu. Formamos nesse sentido uma dupla interessante. Ele transborda essa energia e esse amor que tem pela bola e contagia os companheiros e os torcedores. Foi muito merecido. Fez gols contra o Cruzeiro e contra o Brusque e tem muito a nos ajudar nessa tarefa que temos a cumprir – elogiou Fernando Diniz.

Como dito acima, o acesso não é uma missão fácil, e o time do Vasco ainda está longe de empolgar. No entanto, independentemente dos resultados (dois empates e uma vitória), a mudança de postura com o veterano em campo é nítida. Nenê rapidamente assumiu o papel de referência dentro de campo. Missão que coube a Cano por um bom tempo, mas o argentino não vive um bom momento técnico.

– O Nenê é um jogador muito diferente. Ele não vai ter o vigor de um garoto de 20 anos, mas compensa de outras formas. Sabe segurar a bola, se sobrar uma bola ele decide, é um jogador que o adversário respeita. Ele tem carisma – disse Diniz

Desde que chegou ao Vasco, Nenê participou direta ou indiretamente de todos os gols do time. Foi dele a cobrança de escanteio que originou o gol de Cano no empate por 1 a 1 com CRB. Contra o Cruzeiro, no domingo passado, ele marcou o gol que estava dando a vitória ao time até os acréscimos. E contra o Brusque ele decidiu com um golaço. Outro detalhe é que, com ele em campo, o Vasco não sofreu gol.

– Resultado muito importante. A gente estava jogando bem há dois jogos e tomando gol no final. Ficamos com essa frustração de ter perdido os pontos. E hoje realmente tinha que ser o começo da nossa arrancada. A gente acredita muito.

– Vim para o Vasco porque acredito nesse grupo, um grupo muito qualificado. A gente não desistiu em nenhum momento e foi premiado com essa vitória, com esse gol, com um a menos, o tempo inteiro correndo a mais, e graças a Deus fiz um belo gol e ajudei o time a conquistar essa vitória tão importante – comemorou Nené, após a vitória em Brusque.

Independentemente do momento conturbado do Vasco em campo, a alegria e a gana de Nenê no Vasco são nítidas. Ele está onde queria estar. Para trocar as Laranjeiras por São Januário, aceitou uma redução de mais de 70% do salário, em um primeiro momento. Como não vinha jogando com frequência no Fluminense, o meia deixou claro que queria estar em campo e desfrutar da reta final da carreira. O retorno poderia até ter acontecido um pouco antes, mas encontrou resistência de Lisca. A negociação andou com a chegada de Fernando Diniz.

– Minha relação com Nenê vem de um tempo atrás. Ele é um dos poucos jogadores atuais que joguei contra. Joguei contra quando ele estava no Paulista de Jundiaí e eu estava no Fluminense. Temos amigos em comum. Sempre admirei demais o futebol do Nenê. Na primeira chance que tive para trabalhar comigo, eu o levei para o Fluminense. Demorou um pouco, e trabalhamos pouco tempo. Assim que cheguei no Vasco, teve essa possibilidade. Imediatamente eu o quis perto de mim. Chegamos e estreamos juntos – contou o técnico.

Quarto maior artilheiro do Vasco no século XXI, Nenê marcou 46 gols em 135 com a camisa do clube.

Fonte: ge

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