Germán Cano e Nenê trocam elogios e projetam futuro no Vasco e na Série A

Início da tarde de quinta-feira, logo após o treino do Vasco. Cano é o primeiro a chegar para a entrevista ao Esporte Espetacular. A poucos metros dele, no gramado do CT Moacyr Barbosa, Nenê recebe de funcionários da CBF um troféu. O argentino pergunta.

– O que é isso?

– Troféu de melhor jogador do mês de setembro (da Série B) – responde Nenê.

– Pagou quanto? – questiona o artilheiro, arrancando gargalhadas dos presentes e do próprio Nenê.

A brincadeira de Cano é apenas mais um exemplo do bom relacionamento da dupla. A sintonia em campo, que ajudou o Vasco se recuperar na Série B e vencer quatro dos últimos cinco jogos, é a mesma fora das quatro linhas.

– Anderson, você se chama assim – diz Cano

– Mas só a minha mãe me chama de Anderson – contesta Nenê.

– Sua mãe e eu – retruca o argentino.

O clima é de descontração e, de fato, desde as chegadas de Fernando Diniz e Nenê, o ambiente no Vasco é de alto astral. Mas a dupla, responsável por 66% dos gols do Vasco desde o início da parceria, há sete jogos, fala sério quando o assunto é futebol. Apesar do bom momento, o time ainda não entrou no G-4, e a missão de voltar à Série A não é fácil. A confiança, porém, é grande

– Claro que dá tempo. É difícil. Antes eram 3% (de chances matemáticas de voltar à Série A), depois 9%, depois 12%… Não temos que olhar isso. Temos que acreditar e podemos entrar na história do clube. Isso (matemática) não vai me influenciar em nada. No campo é diferente. Dependemos de nós. Respeitamos todos, mas temos que ir na confiança para vencer esses seis jogos – ressalta Nenê.

Cano reforçou o discurso do amigo Nenê e garantiu a motivação do Vasco, especialmente para o jogo deste domingo, contra o Náutico, nos Aflitos.

– É uma final. É a nossa vida. Sabemos que podemos conseguir essa vitória e vamos em busca dela. Estamos todos juntos, trabalhamos juntos e temos que fazer o que o Fernando Diniz pede nos treinos. Estamos com confiança e isso vai aumentando a qualidade individual e coletiva. Vai ser uma final – projetou Cano.

Dupla troca elogios, receita de longevidade e projeta futuro no Vasco (e na Série A)

Há quase dois anos em São Januário, Cano virou referência e conquistou a idolatria no Vasco. Mesmo diante de cenários horríveis, como o rebaixamento para a Série B ou a irregular campanha em 2021, o argentino jamais teve o posto ameaçado. Pelo contrário, foi dos poucos que se salvou e era apontado por muitos como um oásis no deserto vascaíno.

No ano passado, ele marcou quase metade dos gols do Vasco – 24 de 53 (45%). Mas o que impressionou em um primeiro momento passou a ser um fardo na atual temporada. O time precisava excessivamente do argentino. Se ele não funcionava, o Vasco não andava.

Cano admitiu que a chegada de Nenê facilitou sua vida. O argentino atravessava seu maior jejum com a camisa do Vasco. Eram 10 jogos sem marcar. E logo na estreia do companheiro, Cano desencantou com um belo gol de letra contra o CRB.

– A chegada do Nenê, para mim, pessoalmente, ajudou muito. Na verdade, ajudou o time inteiro. Ele está sendo muito importante. Sinto que jogamos e nos conhecemos há muito tempo. Ele chegou na hora certa para mudar a cara do Vasco.

– E agora o time está muito melhor. Ele é um cara muito profissional e inteligente que faz o time jogar. Dentro de campo ele demonstra no dia a dia que está com muita gana para subir o Vasco para a Primeira Divisão. E é isso que todos queremos – disse Cano.

Nenê revelou ter conversado com Cano no primeiro dia, tinha certeza que o centroavante desencantaria, retribuiu os elogios ao companheiro e afirmou que a dupla já é uma realidade no Vasco.

– Acho que (a dupla) está virando realidade muito rapidamente. O Cano é um cara inteligente, sabe se posicionar muito bem e não para de correr. Ele me ajuda muito, isso motiva. E, com a bola, fica mais fácil porque ele sabe se posicionar. Foi muito rápido, já é uma realidade e podemos nos entrosar ainda mais – frisou Nenê.

– No primeiro dia eu falei para ele: “Você vai fazer um gol”. E abriu a porteira. Eu não vivo de gol. Vivo de assistências. Gol para mim é lucro. O Cano fez o gol contra o CRB e voltou a confiança. Isso é o mais importante, porque o resto ele tem – completou o camisa 77.

Cano e Nenê fazem neste domingo, contra o Náutico, o oitavo jogo juntos. O futuro da dupla, no entanto, ainda é incerto. O argentino tem contrato com o Vasco até dezembro, e a permanência ainda não está decidida. No que depender dos dois, a parceria terá vida longa.

– Eu já falei que quero ficar. Não depende de mim. Tem que falar com o presidente – disse Cano.

Nenê, que tem contrato até dezembro de 2022, fez lobby pela permanência do argentino e afirmou que quer ficar ainda mais tempo no Vasco.

– Não vai embora não. Vamos ficar aqui no Vasco e na Primeira Divisão, se Deus quiser. Vamos tentar segurar o máximo o possível o homem (Cano). Não pode deixar ir embora não. Eu fico, tenho contrato até dezembro de 2022, não importa o que acontecer. Mas se Deus quiser vai dar tudo certo. E espero renovar depois. O velhinho aqui não quer parar – brincou o quarentão Nenê.

A idade de Nenê e sua boa forma física, aliás, foram coisas que impressionaram Cano. O argentino, de 33 anos, disse que o companheiro de 40 anos é uma inspiração e revelou querer seguir os passos de seu novo amigo.

– Ele está muito bem, inteiro. Não tem problema, não tem nada. Acaba bem os jogos. Para mim ele é um exemplo porque o meu sonho é jogar até os 40. Por isso me alimento bem – elogiou Cano.

Nenê disse que o argentino está no caminho certo para ter uma longevidade no futebol e passou a receita.

– Ele está no caminho certo. É isso mesmo. Tem que se cuidar desde sempre. Não é começar a se cuidar aos 35. É a carreira toda. E vejo que ele cuida e está sempre fazendo as coisas depois do treino. É importante e me motiva servir como exemplo. O meu segredo é dormir. Se deixar durmo 10 horas à noite. Se você dormir sempre entre sete e nove horas, estará sempre bem – receitou Nenê.

Fonte: ge

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