Conheça o processo do Vasco para escolha do novo treinador

Passada quase uma semana da saída de Zé Ricardo, o Vasco ainda não tem um novo treinador. Ajudado pelo bom momento do time, o departamento de futebol optou por ter tranquilidade e fazer um processo de seleção criterioso, ao lado da 777 Partners, empresa americana que tem interesse em comprar a SAF do clube.

Hoje, André Jardine, do San Luís, do México, desponta como favorito. Mas não é uma negociação fácil e há outros nomes na mesa. O clube espera uma definição até a próxima semana.

Mas o que levou o Vasco a opção por Jardine ou outros nomes ainda cotados, como Umberto Louzer? Uma série de reuniões e análises, com muitos envolvidos, vem acontecendo desde o último domingo, quando Zé Ricardo comunicou sua saída. Mas como exatamente funciona esse processo? Como tem sido conduzida a busca por um novo treinador? Aspectos táticos, comportamentais e financeiros têm tido um peso maior do que a grife do treinador.

Quem participa da escolha?

Antes de mais nada, é preciso entender que há vários personagens envolvidos, muitas avaliações e é necessário um consenso. A palavra final é do Vasco e do presidente Jorge Salgado. Mas o clube, comandando pelo gerente Carlos Brazil, vem alinhando a busca por um novo treinador com a 777 Partners. Diretor-geral do Genoa, o alemão Johannes Spors está em constante contato, tem opinado, sugerido e até vetado nomes.

O grupo americano, no entanto, não é o único a participar ao lado do comando do futebol. Aliados políticos de Jorge Salgado, que formam o Comitê Consultivo, também opinam. Assim como os jogadores que foram ouvidos em relação a alguns nomes cotados. O Vasco entende que o elenco comprou o barulho na busca pelo acesso e quer manter a unidade do grupo. Por isso, os atletas têm tido voz ativa no processo e alguns nomes foram descartados após ouvi-los.

Questões financeiras e táticas

Como a questão financeira ainda é uma barreira, o Vasco descartou medalhões mais conhecidos, com salários altos. O clube busca um treinador menos badalado, que goste de trabalhar com atletas jovens e se encaixe no perfil tático.

Nesse ponto, os analistas de mercado do clube, liderados por Witor Bastos, têm sido fundamentais. Em entrevista ao canal “Atenção, Vascaínos”, Carlos Brazil disse que eles interromperam a análise de jogadores para focarem somente nos trabalhos dos treinadores cotados, ao longo da última semana. Um trabalho exaustivo, que demanda tempo e que tem sido fundamental, segundo o dirigente.

Em que pé anda a busca por treinador?

Segundo Carlos Brazil, mais de 50 nomes foram oferecidos, mais de 20 analisados, e cerca de 10 se encaixam no perfil que Vasco e 777 buscam. André Jardine é quem mais se encaixou e hoje desponta como favorito. Não é, no entanto, uma contratação simples.

Jardine tem contrato com Atlético San Luís, clube que pertence ao Atlético de Madrid, e está bem no futebol mexicano. Ele assumiu a equipe nas últimas colocações e levou à fase final da competição nacional. Em entrevista coletiva nesta sexta, após o ge ter revelado o interesse do clube carioca, o treinador se disse honrado, mas totalmente focado na equipe do México.

Além disso, seu contrato prevê multa, e o Vasco não tem como arcá-la neste momento. O avanço depende de a 777 decidir investir na contratação antes de definir a compra da SAF, o que deve acontecer em julho. O Vasco está ciente das condições salariais de Jardine – campeão olímpico, ele fez um bom contrato, em dólar, o que significa valores um pouco acima dos padrões mais recentes dos vascaínos – e de sua comissão técnica, além do valor da multa.

Caso não haja avanço com André Jardine, o nome de Umberto Louzer ganha força. Campeão da Série B com a Chapecoense, em 2020, o treinador se encaixa no perfil que o Vasco busca e está sem clube desde que foi demitido do Atlético-GO, em maio.

Fonte: ge