Vasco acata exigências do Consórcio Maracanã para não prejudicar torcedores; Governo do Estado abre investigação

Lucas Pedrosa @pedrosa
O QUE ESTÁ ACONTECENDO ENTRE VASCO E MARACANÃ?

QUAIS SÃO OS MOTIVOS DA GUERRA ENTRE O CLUBE E O CONSÓRCIO?

QUAL SÃO AS POSTURAS DE FLAMENGO E FLUMINENSE NO CASO?

Acompanhem comigo no fio 🧶:

#SBTSportsRio @sbtrio

1 – Após a partida contra o Grêmio (02/06), onde o Vasco teve uma procura por ingressos em seu site equivalentes à capacidade de 3 São Januários e meio (cerca de 80 mil), o clube decidiu transferir o duelo com o Cruzeiro para o Maracanã, visando comportar a torcida vascaína.

2 – Além do grande apelo do público, a gestão atual do Vasco deixa claro desde o início que utilizar o Maracanã é uma meta, já que há interesse em participar também da licitação. Um jogo grande como contra o Cruzeiro também foi para o Vasco demonstrar sua força e testar +

3 – como está o relacionamento com o consórcio, Flamengo e Fluminense. Em cerca de 48h os ingressos esgotaram e o lastro que o Vasco queria foi demonstrado pela força de sua torcida. Após solicitar data e condições para o jogo, os valores do aluguel e das taxas surpreenderam +

4 – O Maracanã, através do consórcio, cobrou R$ 250 mil de aluguel e mais R$ 130 mil em taxas (basicamente água e luz, segundo uma fonte que participou de toda essa negociação e conversei nesta tarde). Porém, em 2019, quando Fluminense e Flamengo fizeram a proposta para +

5 – administrarem o estádio, ficou acordado que o Vasco teria um aluguel de R$ 90 mil para atuar no estádio, como foi neste ano, contra o Flamengo, pelo Cariocão, mais R$ 75 mil de taxas. Ou seja, o custo total pulou de R$ 165 mil para R$ 380 mil. Mais do que o dobro.

6 – O Vasco, estranhando o valor, prontamente enviou um e-mail contestando esses valores, já que há poucos meses havia pagado o que estava acordado. O Maracanã respondeu, “de forma seca”, alegando que não haveria alteração e que, se quisesse jogar no estádio, seria dessa forma.

7 – Em todas as trocas de e-mail, o Vasco copiou também o Governo do Estado, já que, apesar do consórcio, o Maracanã segue sendo um bem do Estado. Flamengo e Fluminense também foram copiados, mas em momento algum se manifestaram. Deixaram para o consórcio receber.

8 – Apoiado juridicamente, o Vasco enviou outro e-mail dizendo que o que eles estavam fazendo não tinha base. Questionaram os motivos dessa decisão e se Flamengo e Fluminense também teriam seus aluguéis alterados. O consórcio não respondeu, mas os borderôs recentes sim.

10 – Os borderôs (final do fio) mostram aluguéis de R$ 90 mil para Fluminense x Atlético-MG e Flamengo x Fortaleza. Foram os jogos mais recentes da dupla Fla-Flu dentro do Maracanã é que não sofreram alterações nas cobranças feitas pelo consórcio.

11 – O Vasco, se sentindo prejudicado, acionou o Governo que, através da Casa Civil, notificou o consórcio e abriu um processo administrativo para investigar o caso. Internamente, o clube considera uma vitória já que o Governo deu razão à reivindicação do Vasco no caso.

12 – Foi colocado um prazo máximo de pagamento do aluguel pelo consórcio para o Vasco: 72 horas antes da partida. O Vasco tinha algumas opções: pagar integralmente, pagar em juízo, pagar apenas R$ 90 mil ou não pagar e discutir judicialmente depois. Porém, com aparo jurídico +

13 – O Vasco resolveu pagar os R$ 250 mil. Por quê? Além dos torcedores do RJ e do Cruzeiro, vascaínos de 22 estados estão envolvidos nesta partida e virão de outros locais para assistir ao clássico nacional no Maracanã. O Vasco não queria dar margem alguma para o consórcio +

14 – ter algum argumento e dificultar a realização da partida, para que nenhum torcedor fosse prejudicado por conta da briga. Mas outros episódios aconteceram na “guerra”, como minha fonte chamou a briga entre Vasco x Maracanã.

FAIXAS, BARES E TORCIDAS.

15 – O Vasco solicitou ao consórcio a utilização de faixas como “Respeito, igualdade e inclusão”, exatamente como detalhado na primeira imagem. Fluminense e Flamengo, por exemplo, utilizam faixas como essas em seus jogos. Nenhuma irregularidade, provocação ou mensagem ofensiva. +

16 – Mas, após o pedido, o consórcio ainda solicitou o conteúdo das mensagens e, pasmem, proibiu sem nenhuma justificativa plausível. Além disso, no contrato de aluguel enviado, o consórcio tirou a participação do Vasco na porcentagem de lucro dos bares do Maracanã +

17 – Algo normal e que qualquer mandante tem direito como, por exemplo, aconteceu na partida entre Vasco x Flamengo no Cariocão. O Vasco, mesmo assim, assinou o contrato pois, caso não o fizesse, o consórcio poderia dificultar em outras áreas como catraca, funcionários e afins.

18 – Ou seja: o Vasco entende que o consórcio não quer que o clube, de forma alguma, faça parte do Maracanã. Seja por questão de gramado (número de jogos) ou de administração. Dificultou de todas as formas para que o Cruz-Maltino desistisse. Inclusive, o CEO do consórcio +

19 – ligou para o CEO do Vasco e reafirmou que as posições continuam as mesmas (sobre aluguel, bares e afins) e que, se o clube quiser jogar lá, vai ser dessa forma. O Cruz-Maltino, como dito, já tomou as medidas cabíveis, considera a atuação do consórcio “absurda” e seguirá +

20 – lutando pelo direito de mandar alguns jogos no Maracanã.

“O Vasco foi o primeiro campeão da história do Maracanã. O Maracanã não é nosso, o Maracanã é de todos. Esse é o nosso lema”. Finalizou o membro da diretoria vascaína.

Borderôs:

Ainda sobre o veto da participação do Vasco na porcentagem dos bares do Maracanã:

em partidas com mais de 50 mil torcedores, o Cruz-Maltino previa, baseado em jogos anteriores, arrecadar cerca de 100 mil reais.

Ou seja: o clube deixará de ganhar algo em torno desse valor.

Fonte: Twitter do jornalista Lucas Pedrosa/SBT