Vasco deixou de comprar de jogadores e investiu R$ 58 milhões com a base entre 2019 e 2021

Em 2021, dirigentes de clubes brasileiros mudaram de postura em relação a investimentos. Na elite do futebol nacional, cartolas reduziram a aposta em jogadores “prontos” e elevaram nas categorias de base.

Investimentos em contratações de atletas – comprados de outros clubes – ainda ocupam a prioridade de cartolas, mas o montante dedicado a esse fim caiu de R$ 1,1 bilhão em 2020 para R$ 832 milhões em 2021.

Nesse mesmo período, valores destinados à base aumentaram de R$ 194 milhões para R$ 304 milhões. Esse dinheiro sustenta o desenvolvimento de jovens jogadores: refeições, materiais esportivos, treinamento etc.

Esses números estão no estudo produzido pela consultoria Convocados, com liderança do economista Cesar Grafietti, e parceria da XP. O relatório foi apresentado ao público nesta terça-feira.

Os números

Todo dirigente tem, basicamente, três opções de investimentos: jogadores “prontos”, categorias de base e infraestrutura. A estratégia e as decisões dele ficam evidentes nas demonstrações contábeis, publicadas anualmente, que dão base para este estudo produzido por Grafietti.

No gráfico abaixo, estão descritos os investimentos em cada uma dessas três frentes entre 2017 e 2021. Valores foram trazidos pelo economista a valor presente por meio do IPCA, índice oficial do governo para medir a inflação. Portanto, exibe-se a variação real entre um ano e outro.

No primeiro ano da pandemia de Covid, em 2020, cartolas tomaram a decisão de cortar investimentos na base e manter a aposta em atletas formados. No segundo ano da pandemia, em que receitas começaram a ser recuperadas, voltou também a ênfase nos mais jovens.

Nem todo clube investe igual. Então, a consultoria separou em seu estudo o investimento de cada um entre 2019 e 2021, novamente com valores corrigidos. Nesses três anos, Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG foram os que mais investiram na contratação de jogadores formados.

O Red Bull Bragantino também se destaca. Comprado pela fabricante de energéticos em 2019, o clube investiu R$ 355 milhões em contratações. Corinthians, São Paulo e Grêmio aparecem na sequência, porém com relativa distância para os maiores investidores.

Em dificuldades financeiras, o Botafogo investiu apenas R$ 37 milhões em reforços nesse período. Algo que mudou com a chegada de John Textor, novo proprietário, e que se refletirá na publicação das próximas demonstrações contábeis. O Vasco nem aparece na lista.

Nas categorias de base, a liderança em termos de investimento também pertence ao Flamengo. Foram R$ 152 milhões aportados na formação de novos atletas nos últimos três anos. São Paulo e Grêmio aparecem na sequência, cada um com R$ 120 milhões no mesmo período.

Grafietti destaca no estudo que a ênfase na base tem um benefício duplo: facilita que transferências de atletas rendam maiores receitas, pois clubes europeus buscam atletas brasileiros cada vez mais jovens, e reduz o custo do elenco principal, pois jogadores mais jovens têm também remunerações significativamente mais baixas do que medalhões.

Clubes que mais investiram em base entre 2019 e 2021

O economista participou do episódio desta semana do podcast Dinheiro em Jogo (clique aqui para ouvir), no qual apresentou a sua nova consultoria, a Convocados, em sociedade com Roque Júnior, Rafael Plastina, Rodolfo Kussarev e Renée Pinheiro. Eles lançaram em 2021, pela primeira vez, em parceria com a XP, o estudo sobre as finanças do futebol.

Fonte: Blog Negócios do Esporte – ge