Auxiliar João Correia, sobre chegada ao Vasco: ‘É uma oportunidade muito grande’

Juntamente ao técnico Maurício Souza, desembarcou no Vasco o auxiliar João Correia. O português, que já fez estágio com nomes como José Mourinho e Ernesto Valverde, iniciou cedo no futebol, e, após anos na Europa, está no segundo clube no Brasil, onde pretende trilhar longa caminhada.

A primeira experiência de João Correia em solo brasileiro começou em 2021, quando foi contratado pelo Cuiabá, então como analista de desempenho para a comissão encabeçada por Alberto Valentim, e ficou no Dourado até acertar com o Vasco.

O convite para chegar ao clube de São Januário partiu da diretoria, que viu no hiato na comissão uma oportunidade de contar com o profissional que já vinha sendo observado, e teve o aval de Mauricinho, que tem a primeira chance efetiva à frente de um elenco profissional.

“Nosso primeiro contato foi muito alinhado, nos identificamos muito um com o outro. É uma oportunidade muito grande. Acredito muito nele, acredito naquilo que ele pode fazer aqui, a metodologia. As suas ideias se encontram com as minhas”, disse João, ao UOL Esporte.

“O que peço à torcida do Vasco é que esteja ao nosso lado. Acredito que as críticas que tivemos à nossa chegada, que saíram na imprensa, são tranquilas. Eu prefiro chegar criticado e sair amado que chegar amado e sair criticado, sem dúvida”, completa.

O futebol entrou na vida de João Correia ainda cedo. Apesar de uma família que não era tão ligada ao esporte, um tio, torcedor fanático do Benfica, foi o responsável para que o mundo da bola o encantasse quando ainda era criança. O desejo de ser treinador também aflorou prematuramente. Houve tentativas de brilhar com a bola nos pés, mas ele confessa que estar à beira do gramado foi algo que sempre chamou a atenção.

“O futebol acaba por entrar muito cedo na minha vida. Os meus pais não gostam de futebol, minha família não é muito ligada, mas eu tinha um tio que era apaixonado pelo Benfica. Então, desde os três, quatro anos que eu comecei a ir toda semana ao estádio da Luz, comecei a ir aos treinos, e acabei por crescer neste ambiente do futebol. Para a maior parte dos treinadores portugueses e portugueses que trabalham no futebol, na minha idade, a paixão pelo futebol vem com José Mourinho. A minha, na realidade, veio antes disso. Às vezes, olho para trás, e com 8, 9, 10 anos, já queria ser treinador. Era a minha paixão, a minha vivência. Também queria ser jogador, não deu certo, mas ser treinador sempre foi algo que me puxou”, conta.

Os primeiros passos foram como auxiliar no sub-17 no 1º de Dezembro. Depois, esteve no Sportivo de Loures, e chegou ao Benfica, onde trabalhou na academia de futebol do clube português na China. Foi também analista de desempenho no AEK, da Grécia, e ocupou o cargo principal da comissão técnica no Oeiras e no Desportivo dos Olivais e Moscavide.

“Antes de entrar na faculdade, aos 16, 17 anos, parei de jogar e comecei a treinar como auxiliar de um time de Série C em Portugal. Eu, com 17, 18 anos, já entrei no vestiário com [time] adulto, o que me preparou muito para futebol. Tive várias experiências dentro e fora de Portugal. Aos 23 anos, surgiu a primeira experiência para ser técnico principal, no Oeiras, um clube pequeno de Portugal. Me tornei o técnico em Portugal mais jovem a ter assumido uma equipe profissional. A partir daí, as coisas foram surgindo, até que surgiu a oportunidade, no ano passado, de vir ao Brasil, para o Cuiabá”, lembra.

“O Brasil é um país que me apaixona, um futebol que me apaixona, e é um futebol que posso acrescentar mais, poder fazer um pouco mais de diferença”.

Correia faz elogios às estruturas que encontrou até aqui nas experiências que teve no Brasil.

“O futebol brasileiro acrescentou bastante. Eu não estava à espera de encontrar a realidade que encontrei. Todo mundo fala da realidade portuguesa, realidade europeia, mas, em minha opinião, a realidade do futebol profissional brasileiro é muito avançada, é mais desenvolvida que a nossa em Portugal. Se formos a um clube de Série B em Portugal, não vamos encontrar a estrutura de um clube de Série B no Brasil. Em minha opinião, em nível de estrutura dos clubes, de estrutura humana, tecnologia, o Brasil está mais desenvolvido. Acho que alguns detalhes, algumas formas de ver o jogo, perspectivas técnicas, posso acrescentar. Estou muito feliz com a minha chegada ao Brasil e é aqui que quer fazer carreira nos próximos anos, não tenho dúvidas”, garante.

Estágio com Mourinho e Valverde

Em 2018, José Correia teve a oportunidade de realizar um estágio no Manchester United, da Inglaterra, acompanhando de perto o trabalho do então técnico José Mourinho, português que se tornou referência para muitos. No ano seguinte, esteve no Barcelona, da Espanha, e pôde ver o dia a dia sob o comando do espanhol Ernesto Valverde.

“Estagiei com o José Mourinho, estive um período com ele no Manchester United. O que posso dizer que o que percebi é que a diferença… São todos seres humanos, ou seja, as relações humanas são iguais, tanto no Manchester quanto no Oeiras, onde eu estava. Foi uma realidade que percebi que posso neste patamar. Aprendi muita coisa com José Mourinho, com a realidade do Manchester United e destes estágios que fiz, que me fizeram mais completo, mas o que senti foi que posso trabalhar aqui, que não há diferença na relação, não falando do Mourinho, obviamente (risos), mas entre as pessoas que trabalham com José Mourinho”, recorda.

Técnicos portugueses

Após o sucesso de Jorge Jesus no Flamengo, em 2019, o Brasil viu diversos técnicos portugueses chegaram ao país. De lá para cá houve, por exemplo, Abel Ferreira, no Palmeiras, Paulo Sousa, no Flamengo — demitido na última semana —, Vítor Pereira, no Corinthians, e Luís Castro, no Botafogo.

João Correia, porém, acredita que apenas a nacionalidade não credencia um treinador e enaltece também os profissionais brasileiros.

“Eu tenho uma opinião própria: para mim, treinador não tem nacionalidade. Essa é a primeira coisa. Ser português não significa ser bom treinador, tal como brasileiro não significa ser bom ou mau. No mundo, existem bons e maus treinadores, portanto, acho que a abertura em demasia a qualquer treinador português só por ser português não está na perspectiva correta. Acho que quando um treinador for contratado por qualquer clube, tem de ser contratado por sua metodologia, pela qualidade. Tem treinadores portugueses bons e maus, tal como os brasileiros. Há treinadores brasileiros de muita qualidade. Acho que essa entrada que pode ser excessiva acaba por tirar alguns espaços de brasileiros com qualidade, e isso não pode acontecer”.

Elogios de Maurício Souza

Durante a coletiva de apresentação, Maurício Souza fez elogios ao auxiliar, e ressaltou que o Vasco já queria contar com o português no clube:

“O João é um profissional extremamente competente, que eu já conhecia de falar, não pessoalmente, que o Vasco sempre teve interesse em ter no clube. O Vasco tem buscado, para sua comissão, o que entende que tem de melhor no mercado. Tive algumas reuniões com ele, via zoom [site para conversa on-line]. Havia o interesse do Vasco em tê-lo, e o Vasco me perguntou. As conversas foram as melhores, profissional capacitadíssimo. Vai nos ajudar muito no dia a dia. Então, foi uma grande junção”, afirma.

Fonte: UOL