Especialistas veem benefícios à imagem do Vasco na campanha #Vaspix

O último fim de semana foi marcado por uma forte campanha de engajamento e ajuda da torcida do Vasco ao clube. Torcedores descobriram a chave do serviço Pix que permitia a transferência de valores à conta bancária do cruz-maltino e, de forma espontânea, começou um movimento de arrecadação.

A #VasPix, como a torcida denominou a “campanha”, não partiu da diretoria, que posteriormente mostrou apoio ao movimento, com direito a doações do técnico Marcelo Cabo e do diretor de futebol Alexandre Pássaro. Até a última divulgação do Vasco, mais de três mil pessoas já haviam feito transferências, e a arrecadação chegou a R$ 388 mil. O clube prometeu investir o valor nas categorias de base e prestar contas das doações.

O movimento foi iniciado no dia seguinte à divulgação do balanço financeiro do Vasco, que revelou um crescimento da dívida total do clube, hoje em R$ 832 milhões. O timing levantou uma discussão entre torcedores: os movimentos de ajuda em meio às dívidas trazem uma imagem positiva para possíveis investidores?

— Não vejo como negativa. Se a administração estiver fazendo a parte dela, essa ação (de torcedores) cresce ou se transforma em outras ações — diz Renê Salviano, executivo de marketing esportivo e ex-diretor comercial do Cruzeiro.

Na visão de Renê, o movimento é uma oportunidade do Vasco analisar dados e adotar estratégias internas para novas interações com os torcedores, mas é preciso ter a cautela de intercalar ações que pedem cooperação com a torcida.

— O torcedor entende que o programa sócio-torcedor é a principal ajuda dele. Eu entendo que a instituição tem que indicar os momentos de determinadas campanhas. E o principal, a gestão tem que mostrar o que está fazendo e para onde quer ir.

Repercussão nas redes

A atual gestão do Vasco, de Jorge Salgado, prepara o lançamento de um novo programa de sócio-torcedor. A modalidade entrou em destaque no clube no fim de 2019, quando vascaínos aderiram em massa ao programa de sócios, elevando o número para mais de 180 mil. Aquele foi mais um movimento de uma série de ações financeiras dos cruz-maltinos, como a arrecadação de fundos aos funcionários do Colégio Vasco da Gama e a ampla adesão à campanha de crowdfunding do cruz-maltino pela construção do atual centro de treinamento.

Ex-vice-presidente de marketing do Vasco e especialista em inovação e novos negócios, Bruno Maia conta que, antes da explosão do engajamento da torcida cruz-maltina nas redes e em campanhas, havia um trabalho em recuperar a presença digital da equipe.

— Houve um dia em que a torcida resolveu que todo mundo do planeta deveria postar “Vasco”. Entrou nos trending topics mundiais, vários clubes da Europa postaram — lembra.

Fortalecimento da marca

Para Maia, a escassez de investimento é um problema que vai além do Vasco, e tem o futebol brasileiro como escopo. Ele não acredita em uma relação direta e imediata entre a atual campanha com uma maior presença de investidores e patrocínios no cruz-maltino, mas ressalta que os episódios podem ser parte de uma história positiva de recuperação da imagem , fortalecendo a marca.

— A torcida tem sido muito percebida, tem sido motivo de assunto. É muito nítido que a forma com que a torcida sustenta o Vasco é diferente da de outros clubes, e isso repercute. Esse tipo de situação é poderosa e tem total ligação com a história do clube.

Professor de comunicação da PUC-Rio e especialista em administração esportiva, Alexandre Carauta explica que a campanha mistura aspectos ciberculturais, como o de colaboração, com a tradicional filiação afetiva aos clubes.

— O futebol consolida esse sonho dourado do marketing, você tem uma relação muito estreita, um vínculo afetivo e duradouro com o torcedor. Poucos negócios no mundo têm esse privilégio.

Ele aponta para a oportunidade de inovar e ampliar o portfólio de receitas do Vasco para além do tradicional, e ressalta a importância da prestação de contas:

— Quando um investidor ou o mercado de forma geral olha para um clube de futebol, vê em primeiro lugar a credibilidade, a confiança. As práticas de governança positiva são o primeiro dever de casa.

Fonte: O Globo Online

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