Possível mudança de eleição no Vasco contra 'mensalão' revolta candidatos

Roberto Dinamite (esquerda) aguarda convocação da Junta Deliberativa. Eurico Miranda acusa ilegalidade
 
A expectativa que envolve a convocação da Junta Deliberativa no Vasco já causa bastante polêmica nos bastidores do clube. Prevista para acontecer no próximo dia 17, a reunião definirá a eleição no Gigante da Colina e sua provável antecipação da data tem gerado discórdia e revolta em alguns dos candidatos à presidência. Embora não confirmem, o ponto central da discussão está nos número de sócios aptos ao voto.

Em abril de 2013, uma associação em massa de mais de três mil pessoas gerou acusações de um possível “mensalão”, onde cidadãos estariam sendo financiados para ingressar no clube em troca de votos. Ocorreu, então, um movimento interno para que o agendamento da eleição fosse antecipado de modo que tais sócios não se tornem aptos ao pleito, uma vez que, segundo o artigo 58 do Estatuto vascaíno, o sócio-eleitor precisa ter um ano de associado até a definição da data eleitoral.

A ação ganhou grande adesão e deve ter o apoio e a maioria de votos para que se estabeleça, fato que causou a ira de Eurico Miranda, um dos candidatos à presidência e que, supostamente, seria um dos beneficiados com estes associados suspeitos.

“Não recebi a convocação, mas para mim, é ilegal (antecipação das eleições). É contra o Estatuto”,  declarou Eurico, que foi além e acusou até mesmo a provável convocação como algo fora da lei:

“É só conferir no Estatuto. A convocação é irregular. Se ela vir a acontecer, ela é, nada mais, nada menos, que uma tentativa de golpe. Só quero uma eleição dentro do Estatuto”.

Também candidato à presidência e outro acusado de ser beneficiado com as adesões em massa, Roberto Monteiro compartilhou dos pensamentos de Eurico no que se refere ao ferimento do Estatuto, mas não enxergou ilegalidade na convocação da Junta Deliberativa.

“A princípio, acho que a Junta pode se reunir a qualquer momento. Não vejo problema nenhum,  até porque o cadastro do clube ainda é bastante tumultuado. O objetivo, num primeiro momento, é dar anuência e base de dados ao pleito. A questão é a data que vai ser colocada. Vamos  ver os argumentos, os critérios e o objetivo. Ou a data é estatutária ou obedece o prazo estabelecido pela Justiça. Ela não terá respaldo se for antecipada”, argumentou.

A Junta Deliberativa nada mais é do que a reunião dos representantes dos cinco poderes do clube: O presidente do Vasco, Roberto Dinamite, o presidente da Assembleia Geral, Olavo Monteiro de Carvalho, o presidente do Conselho de Beneméritos, Eurico Miranda, o presidente do Conselho Fiscal, Hélio Donin, e o presidente do Conselho Deliberativo, Abílio Borges.

De acordo com o artigo 61 do Estatuto do Vasco, a convocação da Junta Deliberativa serve para o “fim especial de promover a revisão e apurar o número total de sócios elegíveis”. No artigo 58, consta que, após a publicação da ata desta reunião, há um prazo mínimo de 60 dias para a realização das eleições.

Nos bastidores de São Januário, há a forte suspeita de que a situação pare na Justiça comum independentemente da data a ser decidida pela Junta.

A reportagem do UOL Esporte entrou em contato com Nelson Rocha, também candidato à presidência, mas o mesmo não pôde atender.  Olavo Monteiro de Carvalho, presidente da Assembleia Geral e responsável pela convocação da Junta, não retornou às ligações.

Fernando Horta, presidente da campeã do Carnaval carioca Unidos da Tijuca, e Jorge Salgado, economista, ainda tentam costurar uma chapa, mas a tendência, até o momento, é a de que desistam da candidatura.

A situação, encabeçada por Roberto Dinamite, ainda não definiu seu candidato, mas nos próximos dias deverá anunciar um nome.
 
Fonte: Uol
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