Do fundo do poço ao Alto da Glória: Vasco tenta sair do Z-4 após 189 dias


Era a quarta rodada do Campeonato Brasileiro. O Vasco ainda vivia, de certa forma, a ressaca do título estadual – conquistado menos de um mês antes contra o Botafogo – quando um velho fantasma passou a rondar São Januário: a zona de rebaixamento. Desde a derrota para o Atlético-MG, por 3 a 0 em Belo Horizonte, que o time está entre os quatro últimos colocados. Neste domingo, em Curitiba, o Vasco completa 189 dias imerso na pressão da queda para a Série B e com uma incômoda escrita: nunca um time que terminou o primeiro turno na lanterna escapou de cair nos pontos corridos.

Relembre por etapas os piores momentos do Vasco no campeonato e a impressionante arrancada que ainda pode livrar o clube da terceira queda para a Série B em oito anos. O time de São Januário foi rebaixado em 2008 e 2013. No domingo, às 17h, o Vasco lança sua sorte no Estádio Couto Pereira. É a hora da verdade para os vascaínos.

Adeus, Doriva

Técnico bicampeão estadual, com o Ituano, em São Paulo, em 2014, e no Vasco no início da temporada, Doriva durou apenas oito rodadas no Brasileiro. Não aguentou a pressão e saiu sem vitória e com aproveitamento pior que o de Celso Roth – 12,5% com apenas dois pontos conquistados em 24 disputados. A despedida foi após a derrota para o Sport por 2 a 1 na Arena Pernambuco. Era a primeira vez que o Vasco chegava na lanterna da competição.

Da sobrevida às goleadas

Com seu estilo durão, Celso Roth não podia estrear melhor: vitória sobre o Flamengo no clássico em Cuiabá e depois 1 a 0 no Avaí em São Januário. O Vasco deixava a lanterna e ia para a 18ª posição, mas o efeito pouco durou. Com o técnico gaúcho, o time ainda venceu o clássico com o Fluminense, mas perdeu sete em nove partidas, conseguindo apenas um empate diante de 40 mil pessoas contra o então lanterna Joinville. As derrotas também foram doloridas.

São Paulo, Palmeiras e Corinthians fizeram 11 gols nos confrontos com o Vasco. O fim da era Roth – aproveitamento de 30,3% – é melancólico. Nos acréscimos contra o Coritiba, no Maracanã, Jomar perde a bola na defesa, e Evandro faz o gol que decretou a demissão do segundo treinador do Vasco no Brasileiro. O time terminava o primeiro turno na lanterna, a oito pontos de sair da zona de rebaixamento.

– No momento, é (lutar para não cair), não podemos dizer nada ao contrário. O Vasco está nove rodadas no G-4 de baixo, infelizmente, essa é a verdade. Estamos trabalhando, inclusive o presidente, com todas as possibilidades e suas forças para mudar isso, então, pode ter certeza que vamos mudar, só que as coisas são complicadas – disse Roth.

Jorginho conhece o fundo do poço, e Rodrigo é agredido

Tal qual Roth, Jorginho estreia batendo o Flamengo na Copa do Brasil, mas vê que no Brasileiro o buraco é mais embaixo. O treinador colocou meta de ser campeão do segundo turno para escapar do rebaixamento, mas a realidade é dura. Derrotas para Goiás, Figueirense, Inter (6 a 0) e Atlético-MG. Na véspera da partida contra o Galo, Rodrigo é agredido por um torcedor na chegada da delegação ao hotel na Lapa. No fim dessa sequência, o Vasco era o último lugar e estava a oito pontos do vice-lanterna Joinville e a 13 do Coritiba, o primeiro fora da zona e que tinha o dobro de pontos dos vascaínos. Jorginho mostra abatimento, mas mantém a fé.

– Em princípio dá um desânimo, uma tristeza muito grande. Dói muito. A gente não sai de casa, não tem uma vida social, não se sente nem bem. Só o abraço da família revigora. Tenho fé, busco na Bíblia a palavra de Deus. Homens que superaram limites, ressuscitaram. Jamais vou desistir – disse o treinador após a derrota para o Galo.

Início da reação

Além de Nenê e Jorge Henrique, o Vasco agora tem Leandrão no ataque. No segundo jogo pelo Vasco, o atacante grandalhão coloca bonito no canto e faz o gol da vitória sobre a Ponte Preta, no dia 9 de setembro. O ultimo resultado positivo na competição havia sido contra o Fluminense, dois meses antes. Depois de desencantar, o Vasco sai da lanterna com um empate e quatro vitórias em cinco jogos – entre elas, uma virada sobre o Flamengo. Com 26 pontos, na 19ª posição, o time fica a seis de sair da zona.

Empates, apito e novo desânimo

O freio na arrancada vem em sequência de empates e muitos jogos polêmicos. Em Florianópolis, o Vasco é superior ao Avaí, sai na frente, e o árbitro não marca pênalti em Jorge Henrique. No fim, vem a igualdade. Contra a Chapecoense, nova arbitragem polêmica, e o presidente do Vasco, Eurico Miranda, denuncia favorecimento aos times catarinenses. Mais duas igualdades contra São Paulo e Grêmio até a derrota no clássico para o Fluminense no Engenhão e o Vasco, de novo na lanterna, parecia morto novamente.

Para entender Nenê

Contra o Palmeiras, o Vasco ressurge de novo. Cabeçada de Rafael Silva e gol de categoria de Nenê o colocam de novo na briga. O time somava na arrancada o dobro de pontos dos concorrentes da zona de rebaixamento. Mas o próximo adversário era o virtual campeão brasileiro, o Corinthians, em São Januário. Com um a menos, Julio César abre o placar no segundo tempo, mas o Vasco cede o empate. No sprint final, o time, que podia cair com três rodadas de antecedência, vence e rebaixa o Joinville em Santa Catarina, e passa, no sufoco, pelo Santos. Nesta tarde, no Couto Pereira, joga a sorte contra o Coritiba, de olho nos jogos do Avaí e do Figueirense.

Fonte: GloboEsporte.com

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