Mesmo triste com rebaixamento, Andrezinho diz: ‘Não tenho vergonha de jogar a Série B’

Na imagem, Andrezinho com a mãe, Erli, e os sobrinhos Mayane, Ygor e Ítalo Foto: Arquivo Pessoal

Andrezinho cura as feridas do rebaixamento do Vasco em São José do Rio Pardo, cidade de 52 mil habitantes no interior de São Paulo. É ao lado da família e dos amigos de infância, ouvindo o canto dos pássaros e saboreando mangas tiradas do pé, que ele recarrega as energias rumo ao novo desafio: recolocar o time na Série A do Brasileiro. Sem vergonha de jogar a Segunda Divisão.

Como recarregar as energias depois de um ano como 2015?

No interior, é a coisa mais gostosa que tem. Vou rever os amigos de infância, saí daqui de São José com 9 anos. Vou para a chácara, acordo com o barulho dos pássaros, é muito diferente da cidade grande. Jogo uma bola com os amigos, relembramos histórias. Faço as coisas mais simples, pego manga do pé.

O que leva da queda?

Ficou o aprendizado, o futebol ensina muito a cada dia. Em algumas rodadas comecei a questionar se tomei a decisão certa de vir para o Vasco, se estava fazendo tudo errado, porque as coisas não estavam acontecendo. Depois reagimos, fizemos um jogo duro com o Corinthians, que talvez seja a melhor equipe da América do Sul, vencemos o Palmeiras com autoridade. Achava que o campeonato era longo, mas não é. Você fala que pode recuperar, mas chega uma hora que não é assim. Acredito que, se não tivéssemos feito um primeiro turno tão ruim, não teríamos caído.

Você se arrepende de algo?

Quando voltei da China, me taxaram de louco. Estava voltando quando todo mundo queria ir para lá. Mas voltei porque acreditava no grupo e não me arrependi em nenhum momento. Quando cheguei aqui e fui recepcionado pelos meus amigos, tive mais certeza ainda de que fiz o certo. Ficou a tristeza, mas terminamos o ano de cabeça erguida.

Como se sentiu tendo que olhar de fora o último jogo, por conta da suspensão?

Quando caiu a ficha, veio uma sensação muito ruim, de impotência. Lembrei de tudo, que joguei cinco jogos com o joelho machucado porque o time precisava de mim. Sou um cara que me privo de qualquer vaidade, temos de pensar em tudo, nas pessoas que trabalham no Vasco. Vi seguranças chorando, roupeiros, pessoas que ficam nos bastidores, e é aí que você se sente impotente.

Vai permanecer no Vasco?

Tive uma identificação muito grande com o clube, os jogadores, a comissão técnica. Parece que estou há mais tempo no Vasco. O futebol traz surpresas boas, às vezes. Todo mundo sabe que fui criado no Flamengo e, no passado, talvez não me visse no Vasco. Mas então você chega e é recebido como fui pelo presidente, pela torcida. Não sei se foi por tudo que passou, mas meu envolvimento hoje é muito intenso. Tenho contrato e me reapresento para a pré-temporada. Apenas recebi carinho dos torcedores.

Pretende renovar o contrato, que acaba em junho, para disputar a Série B?

Minha prioridade é essa, não tenho vergonha nenhuma de disputar a Série B. Estando num clube como o Vasco, você tem de ter a dignidade de fazer o seu trabalho e recolocá-lo na Primeira Divisão.

O que achou da permanência de Jorginho como técnico?

Claro que o futebol é conjunto, mas o que o Jorginho e sua comissão técnica fizeram foi responsável por 80% do que conseguimos. Jorginho resgatou a confiança do grupo, conquistou a todos, o que é difícil num grupo tão grande. Ele foi uma grata surpresa que tive no Vasco.

Vê o Vasco forte para os campeonatos de 2016?

Vejo que o Vasco, em termos de estrutura, está no caminho certo. Tem o centro de recuperação de jogadores, os salários em dia. Então, apesar de tudo, aconteceram coisas positivas em 2015. Com o Jorginho, com o presidente, o clube pode almejar coisas maiores no futuro. Cair na vida é normal, tudo depende da forma como você vai se levantar.

Fonte: Extra

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